31.10.16

as crianças já foram mais felizes

Neste texto dei conta do meu contentamento pelo desenvolvimento da Margem Sul do rio Tejo, mais especificamente em relação à zona onde cresci e sempre vivi. Dei também destaque ao facto de muitos amigos de longa data estarem associados a esta evolução devido a projectos que têm desenvolvido na minha/sua terra. Acabei ainda por partilhar o texto na minha página de facebook pessoal algo que acabou por gerar uma animada conversa.

Alguns dos meus amigos recordaram o tempo em que éramos adolescentes. Salientaram que nessa altura a oferta, em diversas áreas, era menor mas que éramos crianças mais felizes do que as de hoje em dia. E basearam a opinião em diversas coisas que fazíamos e que muitas crianças/adolescentes não fazem nos dias que correm. Algo a que dou razão.

Mesmo tendo em conta que os centros comerciais eram em menor número, que as redes sociais eram quase inexistentes e que nem todas as pessoas tinham computadores, consolas e telemóveis, fazíamos coisas tão simples como nos juntar na rua a conversar. Algo que os adolescentes de hoje pouco (ou nada) fazem quando são retirados do ambiente escolar onde estão junto dos colegas. Era comum combinar uma hora para estar em determinado sítio a conversar. Não o fazíamos num grupo de whatsapp. Era mesmo na rua.

Também podíamos jogar às cartas ou fazer outra coisa qualquer. Mas estávamos juntos. Era também raro o dia em que não combinava um jogo de futebol com amigos. Sempre que tínhamos tempo livre – porque muitos de nós eram atletas federados – lá estávamos num capo a jogar futebol. Também jogava futebol na minha rua, com bancos de jardim a fazer de balizas, basebol com as árvores a fazer de base e muitas outras coisas. E estes são apenas alguns exemplos.

Quando a idade se aproximou mais da idade adulta e quando as saídas à noite passaram a ser mais frequentes, o convívio manteve-se. Até porque, no meu caso, o meu grupo de amigos estava junto numa equipa de futsal que ia entrando em diversos torneios, algo que fazia com que estivéssemos juntos com frequência. E neste sentido tenho de dar razão aos meus amigos. Porque é verdade que éramos crianças mais felizes. Improvisávamos para estarmos juntos. Hoje existem desculpas para evitar a proximidade física, preferindo uma rede social ou uma consola. E na adolescência também éramos mais felizes do que os jovens de agora.

Como referi no primeiro texto, congratulo-me com o desenvolvimento da zona onde vivo. A todos os níveis. E defendo que este desenvolvimento e maior oferta não tem culpa no maior afastamento entre os adolescentes. Porque podem, como era o nosso caso, fazer actividades físicas junto dos amigos. Podem combinar jantares com os amigos com uma maior facilidade. Têm uma maior oferta cultural, da qual podem tirar proveito com os amigos. É tudo muito mais fácil do que no meu tempo de adolescente. Existem é muitas tentações virtuais que acabam por ser a preferência de muitos jovens e também o alívio de muitos pais que preferem ter os filhos em casa do que na rua com os amigos.

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