20.7.17

o karma não brinca em serviço

Era uma vez um homem que adorava ser mirone. Um homem que tinha como prazer diário espreitar outras pessoas durante momentos mais pessoais e íntimos. Ainda que praticados em locais públicos. Era uma pessoa que gostava, por exemplo, de ver mulheres na praia. E este encanto era tal que decidiu partilhar o mesmo com os amigos. Venham lá. Vamos ver umas coisas giras.

E assim foi. Equipa montada. Binóculos. Espreitadela para aqui. Espreitadela para ali. "Que belas mamas tem aquela mulher", diz-se. Todos espreitam. Até que chega a vez do tal homem. Que ao olhar pelos binóculos se apercebeu de que estava... a ver a filha a fazer topless. Aquela pessoa levou os amigos a olhar para as mamas da filha. O que tinha piada rapidamente passou a espectáculo de mau gosto. E todos foram embora. Com o homem pior do que estragado.

Moral da história: o karma não brinca nem tira férias. Este é momento em que digo que tudo não passa de uma brincadeira. De uma anedota. Mas não o posso fazer. Pelo simples facto de que é uma história verídica. Isto aconteceu.

19.7.17

hoje é o dia delas

Hoje é um dia histórico para o desporto português, no que às mulheres diz respeito. Pela primeira vez temos a principal selecção nacional de futebol presente num Europeu. E foi com grande alegria que ouvi um jornal de desporto, na Antena 1, abrir com este tema. Que teve maior destaque do que os temas habituais.

A missão não será fácil. Mas no ano passado também não era. E todos sabem o final feliz de que todos nos lembramos. Às cinco vou estar com os ouvidos colados ao rádio. Ou com os olhos colados à televisão. Força raparigas! Somos milhões a puxar por vocês.

18.7.17

há coisas que nunca mudam e elas vão ser sempre umas...

O mundo tem tido um avanço fantástico. Nos carros, nas casas, nas tecnologias e em tudo e mais alguma coisa. Mas as mentalidade não conseguem acompanhar a velocidade das restantes evoluções. Em alguns casos até parece mesmo que existe um recuo no modo de pensar. E quando o tema são mulheres e roupa, acaba sempre sempre com a palavras puta.

Ariel Winter deu-se a conhecer enquanto adolescente. E algumas pessoas devem ter ficado presas nesses tempo. E não se apercebem de que a jovem já tem 19 anos. Está mais perto de ser uma mulher do que de ser uma menina de 12 anos. E que gosta de usar calções e tops (qual a jovem que não gosta?) e que gosta de partilhar imagens nas redes sociais.

Estes ingredientes resultam quase sempre em puta. Algo de que a actriz está a ser acusada por causa desta foto. E se já condeno críticas destas, até porque os homens nunca são vistos com o mesmo olhar crítico, abomino comentários como: "nenhum namorado deixaria a namorada andar por aí assim vestida". Mas os homens mandam nas mulheres? E nas roupas que usam? E ainda fico mais espantado porque estes comentários são feitos por jovens que conseguem ter mentalidades mais antigas do que muitas pessoas de gerações mais velhas.

eles são todos umas p****

Longe vão os tempos em que os jogadores de futebol eram pessoas "sérias" com amor à camisola. Hoje, e ninguém pode condenar isso, são uns mercenários que se vendem a quem pagar mais e melhor. Volto a dizer que não censuro isto. Aquilo que critico é a estupidez associada a esta forma de ser mercenária. E Fábio Coentrão é o exemplo mais recente do que pretendo explicar.

Fábio Coentrão foi um grande jogador. Um dos melhores laterais esquerdos do mundo. Mas, por motivos que só o próprio poderá explicar, perdeu fulgor. As lesões são muitas, os jogos são poucos e quando assim é, a carreira tende a descer. Pegando nisto tudo, é normal que o jogador em questão veja com bons olhos a mudança para o Sporting. Mesmo depois de ter passado anos no Benfica. É normal porque foi no Benfica que teve os melhores anos da sua carreira. E foi com o treinador do Benfica, que agora está no Sporting, que melhor jogou. Isto misturado faz com que Fábio Coentrão acredite que com Jorge Jesus irá voltar a ser o jogador que era.

Tudo o que referi é lógico. Aquilo que deixa de ser lógico é andar a gritar ao mundo que ama o Benfica. E que em Portugal só joga no Benfica. E que nunca jogaria no clube onde agora está. E que parece, segundo o próprio, ser a realização de um sonho de criança. E que tire fotos com adeptos que, ao jeito do adepto que é mais anti um clube do que a favor de outro, gostam de provocar. É isto que transforma um atleta inteligente num mercenário burro. E falo de Coentrão porque é o exemplo mais recente de alguém que tem de engolir o que disse.

No lado oposto dou o exemplo de uma entrevista recente de Miguel Vítor. A quem perguntaram se jogaria no Porto ou Sporting, depois de ter sido formado no Benfica. E o jogador respondeu dizendo que era profissional. E que, apesar de existir uma ligação sentimental ao Benfica, não poderia fechar as portas a clubes como o Sporting e o Porto, os únicos que conseguem, em Portugal, pagar o que recebe no estrangeiro. Miguel Vítor não passa a ser pior profissional por dizer isto. Não apaga a sua história no Benfica por abrir as portas a outros clubes.

A grande diferença é que Miguel Vítor passa por inteligente e Fábio Coentrão por burro. Algo que seria evitado se não tivesse passado anos a gritar que amava um clube e que só jogaria por esse clube no seu País. Também saliento que nos dias que correm os mercenários estão em todo o lado. Os futebolistas apenas são mais mediáticos. Porque o mercado profissional está cheio de pessoas assim.

adeus maluca que lambia martelos

Não a conheço de lado nenhum, mas fico feliz por ver Miley Cyrus de volta à normalidade. Considero que é uma mulher bonita, inteligente e talentosa. Nunca percebi se viveu uma fase "posso fazer tudo" ou se aconteceu algo completamente diferente que levou a que fosse aquela Miley que todos conheceram e com a qual todos fizeram piadas. As opiniões valem o que valem e a minha é a de que assim está muito melhor.

obrigado a todos

A loucura diária, com dias de doze horas de trabalho, para lançar o site fez com que fosse impossível dedicar a atenção que gosto de dar ao blogue. Por isso foi com espanto que me apercebi que durante este período de menor actividade o blogue ultrapassou os quatro milhões de visualizações. Algo impensável no dia em que nasceu.

Este blogue nasceu sem esperança de vida. Sem planos para isto ou para aquilo. Sem objectivo de ganhar dinheiro. Nasceu sem qualquer ideia do que seria. O nome foi escolhido sem grandes pensamentos filosóficos. Os textos foram surgindo. As pessoas foram entrando nesta casa e passados cinco anos é ultrapassado um número bastante alto para o que poderia pensar.

Quero agradecer a companhia de todos. Se existem este números é porque as pessoas passam por aqui para ler aquilo que não passa de desabafos de um rapaz como outro qualquer. Obrigado por fazerem deste blogue aquilo que ele é. Por partilharem tantos momentos comigo. Por me ouvirem em momentos complicados. Tudo isto existiria sem vocês, mas não seria a mesma coisa. E aqui fica uma banda sonora indicada para hoje.

17.7.17

agradar a um homem não é fácil

Fiquei muito contente quando me fizeram o convite para fazer parte da equipa que ia ficar responsável por um site masculino. À alegria juntou-se o entusiasmo e motivação que vinha perdendo com o passar dos anos. Acompanhar um projecto desde o seu nascimento tem muito mais sabor do que entrar quando o comboio já vai a meio. É bom estar em reuniões para escolher nomes e "vender" ideias. É bom fazer parte do dia em que algo passa a ser real. É mesmo muito bom.

Mas em nenhum momento achei que este projecto seria fácil. Porque não é fácil triunfar num universo em que cada vez existem mais apostas. As pessoas dedicam cada vez mais tempo aos sites e blogues, sendo que o papel caminha para uma classe que poderá ser considerada "artigo de luxo". Ser um site masculino também não facilita a missão. Porque longe vão os tempos em que os homens ficavam contentes com mulheres, sensualidade, carros e relógios.

Muitos homens continuam a gostar disto. Mas não só. Existem homens que procuram tudo menos mulheres em fotos ousadas. Existem outros que não ligam nada a carros. Nem a relógios. Existem aqueles que querem as últimas tendências de moda. Que querem aprender truques e dicas para fazer a manutenção do barba. E por aí fora numa imensidão de temas. O que faz com que não seja fácil agradar a um homem. E pensar que todos são iguais é um erro. Porque os homens, que sempre foram vistos como simples e básicos, conseguem ser muito mais exigentes que as mulheres, que sempre foram vistas como complexas e exigentes.

E nos dias que correm, um site masculino é também feminino. Porque as mulheres também vão ver os conteúdos. Também se vão informar sobre temas que não encontram em sites femininos. E tudo isto torna o desafio ainda mais aliciante. Pensar na forma de agradar ao maior número possível de pessoas a cada notícia que se faz é algo que torna o dia muito melhor. Há muitos anos que não tinha meses de trabalho sem estar a olhar para o relógio e a contar o tempo para algo. Agora passa a voar e parece sempre curto. E esta é a melhor sensação que se pode ter num emprego.

qual é a lógica disto?

Qual a lógica de ter um sistema de comunicações de emergência que nunca funciona em casos de emergência? Mais quantas coisas vão ter de correr mal para que seja encontrada uma solução para este problema que deveria ser a solução para tantas pessoas?

14.7.17

chegou o grande dia

Acabou a espera! E os nervos estão ao rubro. Ao longo das últimas semanas, especialmente desta, foram longas horas de trabalho. Todos os detalhes foram vistos, revistos, e novamente analisados. Tudo a pensar neste dia. Sou da opinião de que a perfeição não existe. Seja no que for! Mas acredito que este projecto, que será apresentado hoje, está próximo daquilo que desejamos que venha a ser no futuro.

É um orgulho acompanhar o nascimento de um projecto desde o momento em que é uma ideia. É giro ver crescer cada detalhe. Fazer parte de cada ideia que é lançada por todos. É uma honra fazer parte de uma equipa que faz das tripas coração para que tudo esteja bem feito. Há muito tempo que não me sentia assim profissionalmente.

A imagem diz que ainda falta um dia, mas essa espera acabou. O lançamento deste projecto será hoje! E estão reunidos os ingredientes para que seja uma das melhores festas dos últimos tempos. Com tudo aquilo de que os homens gostam. E que, assim acredito, as mulheres também gostam de ver, conhecer e opinar. O relógio está em contagem decrescente. Os nervos são cada vez maiores. Ultimam-se os detalhes e prepara-se tudo ao pormenor. Que chegue a festa rapidamente. Vamos a isso!



E aproveito para pedir desculpa pela maior ausência - e inédita - do blogue nestes últimos dias. É que o tempo tem sido curto para tudo aquilo que vai além do nascimento deste "bebé". Agora tudo voltará à normalidade.

11.7.17

Cada vez mais desligo das pessoas

Considero-me um bom conversador. E um bom ouvinte. Mas cada vez mais tenho menos paciência para pessoas que falam, falam e falam sem parar. Aquelas pessoas que têm algo a dizer sobre tudo.

Ou aquelas pessoas que transformam a escolha de uma cor numa lição de vida ao estilo do melhor life coach do mundo. Por isso é que cada vez mais dou por mim, sem que faça por isso, a desligar-me de conversas que ouço.

Parece que o meu cérebro tem um dispositivo que faz com que ignore pessoas que têm muita informação para dar. Mas informação que não quero receber. Até porque escolher uma cor, um prato ou uma bebida não tem de ser uma lição filosófica sobre o sentido da vida.

10.7.17

expectativa e nervos

Há muito que não tinha uma semana destas. Que não tinhas semanas destas. Quer seja a nível de trabalho ou mesmo a nível de expectativa. O tempo livre tem sido pouco. A loucura tem sido muita. E agora é a semana da contagem decrescente. Será nesta semana que um novo projecto profissional irá ver a luz do dia. Vamos a isso!

9.7.17

os foo fighters não prestam para nada

Estava decidido a ir ver os Foo Fighters aos Nos Alive. Ao estilo do bom português, fui deixando passar o tempo, até que os bilhetes esgotaram e acabei por perder a oportunidade de ver Dave Grohl e companhia.

No manhã seguinte ao concerto deparei-me com vários amigos a elogiar, nas redes sociais, o espectáculo. O que me deixou ainda mais triste por não ter ido. Até que começam a aparecer "críticas" à actuação da banda. Deparei-me com coisas que não estava à espera.

Apesar do sabor não ser igual, fui ver o concerto na RTP para tentar perceber se os elogios eram exagerados ou se as críticas eram justas. E bastaram poucos minutos para perceber que a primeira opção era a que tinha mais lógica. Foi um excelente concerto.

De resto, não me espanta que existam pessoas que recorram às redes sociais para falar mal do concerto. É normal. Uns gostam, outros odeiam e outros nem uma coisa nem outra. Aquilo que critico são as críticas "mais profissionais" que são feitas num registo que não é um artigo de opinião.

E digo isto porque as pessoas entendem que ser um bom crítico é falar mal daquilo de que tantos outros gostam. Apenas porque sim, dizendo as maiores barbaridades. Hoje em dia esta é a definição de crítico. Que hoje escreve sobre um concerto, amanhã sobre um carro e no dia seguinte sobre um jogo ou um restaurante. Não percebe nada de área nenhuma, mas tenta ser especialista em todas. Falando mal de forma gratuita.

Existem diversas bandas de que não gosto. Mas na hora de falar delas distancio-me do meu gosto. E sei reconhecer o talento e mestria em cima de um palco. Mesmo achando que a música não é nada de especial. E aplico isto a tudo! Seria fácil falar mal. Mas é também sinal de pouca inteligência.

Infelizmente nos dias que correm ser crítico é falar mal. E é muito fácil dizer que os Foo Fighters não prestam para nada. Que o concerto foi uma porcaria. E que ninguém vibrou com os temas daquela que é somente uma das melhores bandas rock que as últimas gerações conheceram. É certo que a bagagem não obriga a que o concerto seja bom. Mas dizer que não presta é um grande exagero.

6.7.17

passava horas nisto


Podia passar horas a responder a esta pergunta. Mas disparo três nomes no imediato: Braveheart, 007 Casino Royale e Batman – O Cavaleiro das Trevas. Já para não falar de Bloodsport. E é melhor calar-me ou não saio daqui.

descontrolo emocional

O tenista português João Sousa protagonizou um momento caricato durante o torneio de Wimbledon. Que pode ser definido com palavrões. Muitos! Asneiras atrás de asneiras. Foi assim que o atleta português lidou com um momento de frustração pessoal. É verdade que não disse nenhuma asneira em inglês, mas disse muitas em português. O que acontece é que os microfones captam tudo.

Do ponto de vista teórico, é tudo reprovável. O torneio em si impede aquele tipo de linguagem. A competição também. A relação atleta árbitro a mesma coisa. Teoricamente falando, tudo é mau. Mas isto é apenas do ponto de vista teórico. Porque na realidade tudo muda na prática. Aí, não há teoria que aguente um mau momento.

Quem nunca soltou um palavrão num momento em que tudo parece correr mal? Num instante que coloca em causa tantas horas de preparação? E aqui contra mim falo porque dizia muitas asneiras quando jogava futebol. E quem também nunca disse uma asneira quando pensa que ninguém irá perceber aquilo que diz e quando acredita que poucas pessoas vão ouvir as suas palavras?

Por isso é que não faço parte do grupo que condena o atleta. Estou no grupo que compreende e que até se ri ao ver um vídeo que não tem piada nenhuma. E a falta de piada está relacionada com a forma como um atleta de topo perde o controlo. Porque são atletas que trabalham muito este lado do controlo emocional. Que naqueles segundos desaparece por completo. E já vi isto com João Sousa, com Cristiano Ronaldo e com tantos outros atletas de topo. Quem ainda não viu o vídeo, pode ver aqui.

coisas que acontecem num carro

Coisas que acontecem num carro: todos sabemos cantar, tocar bateria e guitarra. E ainda fazemos os coros e a coreografia. Somos uns verdadeiros artistas na hora do trânsito.

5.7.17

o mundo volta a ficar baralhado. és tu que sabes que cor é esta?

Recordam-se deste vestido? Aquele que colocou o mundo inteiro a debater cores. Pois bem, a confusão está novamente instalada. E agora a culpa é da Nike. Não necessariamente da marca da foto que tens produtos da marca. Agora não se chega a uma resposta consensual. Afinal estamos a ver cinzento ou cor-de-rosa? Aceitam-se palpites.

moda: mulheres vs homens

Aquilo que de mais gosto na moda é a sua diversidade. Existem modas para todos os gostos e para todos os estilos. E tanto para homens como para mulheres. E assim é que a moda deve ser. Mas não acho que a moda deva ser copiada. Especialmente por sexos opostos. Ou seja, uma tendência feminina não tem de ser igualmente uma tendência masculina. E poderia passar muito tempo com exemplos que defendem o meu ponto de vista.

Mas pego num recente. Os lace shorts. Uma peça de roupa que muitas mulheres utilizam nesta altura do ano. E que ficam muito bem a sexo feminino. Para quem não sabe do que falo, aqui fica um exemplo.


Lá porque os lace shorts são um grande sucesso junto das mulheres, não têm de ser obrigatoriamente um sucesso junto dos homens. Mas a verdade é que alguém decidiu que deve ser igualmente uma peça que todos os homens devem ter no armário. Comecei este texto por aplaudir a diversidade da moda. E nada tenho contra aqueles homens que entenderem que isto é que são uns belos calções masculinos. Acho apenas que são feios para eles. E que ficam muito melhor quando vestidos por elas.

4.7.17

a minha relação com uma coelhinha da playboy

Hoje tem sido notícia a detenção de três 'coelhinhas' da Playboy que foram detidas no México por trabalho ilegal. Um colega falou-me da notícia que tinha visto num site estrangeiro. Não prestei muita atenção até ao momento em que percebo que uma das Playmates é luso-francesa. De seu nome Marie Brethenoux. Nome que não me soa estranho...

Após uma pesquisa percebo que esta modelo conquistou um concurso que elegia o melhor rabo. Uma iniciativa da Sloggi. E isto só tem piada, para mim, porque fiz parte do júri que elegeu esta menina como sendo aquela que tinha o melhor rabo. Era eu, Vanessa Oliveira, um fotógrafo e uma directora de uma revista de moda.

Confesso que desde então nunca mais tinha ouvido falar de Marie Brethenoux. Até ao momento em que ouço que foi detida no México. É mais um daqueles exemplos de que o mundo é mesmo pequenino. E outro exemplo disso é o vencedor masculino do mesmo concurso. Na altura tínhamos de votar numa rapariga e num rapaz. E recordo-me de que ambos venceram sem grande complicação. Ela é a Marie. Ele é o Nuno que acabou por ficar conhecido dos portugueses após participar numa das edições da Casa dos Segredos.

chocolate branco e preto

Existem pessoas que nasceram para ser polémicas. Ou que a vida e carreira levou a que assim fosse. Cristiano Ronaldo é uma dessas pessoas. O jogador fez uma brincadeira nas redes sociais com um amigo de longa data. Fotografaram-se a exibir os músculos e o jogador do Real Madrid decidiu escrever na legenda "combinação perfeita entre chocolate branco e preto". Isto bastou para que tivesse início uma guerra.

Cristiano Ronaldo está a ser acusado de racismo por causa da legenda da fotografia. E este é apenas mais um exemplo da falta de distanciamento que as pessoas têm. Cristiano Ronaldo não publicou uma fotografia de pessoas que não conhece de lado nenhum para fazer uma piada de mau gosto. Fez uma foto com um amigo e recorreu à boa forma física de ambos para fazer a piada. Se a foto foi publicada é porque o amigo deixou.

E não passa disto. De uma brincadeira partilhada pelo atleta que mais seguidores tem nas redes sociais. O mesmo atleta que já chamou cigano a Ricardo Quaresma noutra publicação. Igualmente sem maldade. E tudo isto seria normal. Só que vivemos numa era de predadores das redes sociais. Pessoas que procuram detalhes em todas as publicações de modo a apontar o dedo.

E são pessoas que provavelmente têm brincadeiras iguais com pessoas com que têm confiança. E que também partilham esses momentos nas redes sociais. A diferença está apenas num factor: o mediatismo de quem tem mais dedos apontados. Que todo o mal do mundo, ou mesmo das redes sociais, fosse o humor de Cristiano Ronaldo com um amigo de infância.

gipsy detector

Gosto de música cigana. E talvez este não seja o melhor termo. Se falar de Gipsy Kings, talvez se aplique. Se falar de Gogol Bordello talvez as pessoas não assumam imediatamente como música cigana. Apesar de o grupo se assumir como uma banda de 'gipsy punk'. Na minha lista de músicas para correr constam duas músicas destes grupos: uma dos Gipsy Kings e outra dos Gogol Bordello.

O meu leitor de mp3, bastante limitado, está sempre em modo aleatório. E poucas são as vezes em que salto músicas porque fica logo descontrolado. As músicas recuam ou começa aos soluços. No meu percurso de corrida passo por uma casa isolada onde mora uma família cigana. E começo a acreditar que o meu leitor de mp3 pode ser considerado um gipsy detector.

Porque, coincidência das coincidências, as duas músicas costumam tocar quando estou a passar perto da casa. Fora isso, tocaram uma ou outra vez. Quando outras músicas (são mais de cem no total) repetem-se com uma frequência muito maior. Não sei qual é a forma de funcionamento do meu mp3 no que à escolha aleatória diz respeito, mas esta coincidência tem a sua piada.

3.7.17

ser fêmea não é nada fácil

Em tempos - ainda no ano passado - apareceu uma cadela abandonada no meu local de trabalho. Dia após dia lá estava no parque de estacionamento da empresa. Criei empatia com a cadela - que baptizei de Jane Doe, sendo que também lhe chamam Matilde - e desde então que a alimento. O encanto pela cadela alastrou-se a outras pessoas e arranjou-se uma grande casa para ela. Opção que preferi mil vezes quando comparado com a entregar a um canil.

Desde então que a Jane é alimentada. Até já se pagou a uma veterinária para ir fazer uma visita à Jane. Que neste momento está desparasitada e vacinada (e chipada, creio). A Jane passou a ser de todos nós. É uma mascote da empresa. Até que um dia apareceu um cão que não largava a Jane. Não tenho jeito para acertar nos cinco números e nas duas estrelas do Euromilhões, mas rapidamente percebi que a minha amiga estava prenha. Na altura do parto, a Jane enfiou-se num sítio onde sabia que ninguém conseguiria mexer nos filhotes.

E assim foi. Agora, (mais ou menos) um mês depois, os filhotes da Jane - dois cães e uma cadela - já andam à solta no parque de estacionamento. Já se metem com todas as pessoas, que também os adoptaram, tal como aconteceu com a mãe. A diferença é que o objectivo é que alguém fique com os pequeninos. Porque podem ter uma vida muito melhor do que têm ali. Mas até para nascer é preciso ter sorte.

Diversas pessoas revelaram interesse em adoptar os animais, mas ficaram-se pelas palavras. Agora parece ser de vez. Os dois meninos já têm interessados e em breve vão para as suas famílias (de confiança). Sobra a menina. Que é um amor, que é a única castanha e que só quer brincadeira e mimos. É caso para dizer que ser fêmea não é nada fácil. Porque as pessoas tendem a querer os meninos. Dão-lhes prioridade.

Nesse sentido, publico este texto. Caso alguém (adopção responsável) esteja interessado em adoptar a filha da Jane, poderá enviar-me um email ou mensagem pelo facebook do blogue. Posso dar mais informações e até podemos combinar uma visita para conhecerem a ninhada. Acrescento que o porte será grande. Obrigado desde já pela ajuda. Vamos ajudar a menina a encontrar uma família. Uma que lhe dê ainda mais amor do que todos nós damos no nosso trabalho.

30.6.17

simples para outros, motivo de orgulho para mim

Num passado cada vez mais distante (mas sempre presente na minha memória) o meu pai apanhou um susto de saúde. Relacionado com o coração. Desde então, e mesmo antes dessa altura, que insisto com ele para fazer desporto. Nada de muito puxado. Umas caminhadas à beira-rio. Porque sei que é algo que lhe faz bem.

Volta e meio insisto no assunto. E o meu pai tem sempre uma desculpa como resposta. E lá vou insistindo. Sempre na esperança de que me responda “sim, tenho ido andar”. Num destes dias estava a falar com a minha mãe, que me contou que têm ido andar diariamente. “Ainda não falhámos um dia esta semana”, disse-me.

Aquilo foi música para os meus ouvidos. É como se tivesse recebido um prémio. É uma das melhores sensações que poderia ter. Uma das melhores coisas que poderia ouvir. Agora é esperar que o exercício tenha continuidade. E é também altura de centrar a minha atenção em alguém que também precisa de um pequeno empurrão. Sim, tu mesmo que está a ler este texto.

29.6.17

o peido do salvador

O concerto solidário que tinha por objectivo angariar dinheiro para as vítimas da tragédia de Pedrógão ficou marcado por um episódio protagonizado por Salvador Sobral. Que disse que até podia dar um peido que o público o iria aplaudir. Isto dividiu as pessoas. De um lado as que aplaudem mais um momento caricato do jovem artista. Do outro os que condenam. Não escondo que faço parte do segundo grupo.

Não me choca que Salvador Sobral revele tiques de artista. Não me incomoda que diga peido. Nem que faça do público uma espécie de grupo de escravos que estão ali para o venerar. Faz parte. Quem gosta, gosta. Aquilo que condeno é o momento em que foi feito. Não se trata de um concerto de Salvador Sobral. É um concerto solidário. Relacionado com uma devastadora tragédia. E isto não casa bem com um um momento de humor daqueles.

E não concordo com o ponto de vista de "ele pode" apenas porque é o cantor do momento em Portugal. Condeno que se aceite isto em relação a Salvador Sobral, mas que se critique em relação a outros que façam o mesmo. Tal como achar que Judite Sousa ao lado de um cadáver é jornalismo de excelência e que os trabalhos da CMTV são jornalismo sensacionalista. As comparações estão no mesmo patamar.

Não defino os comportamentos com base na popularidade dos protagonistas. O grau de popularidade não significa uma bagagem maior no que diz respeito aos comportamentos. Seja o Salvador Sobral ou seja outra pessoa qualquer. Podem achar que tenho uma mentalidade mais fechada mas brincar com peidos num concerto daqueles é apenas uma piada de mau gosto.

acho mal que ronaldo seja dispensado da selecção para ir ver os filhos

Existem pessoas que olham para o desporto como uma das coisas mais importantes da vida. Por isso existem pessoas que são contra a dispensa de atletas em momentos importantes. Portugal perdeu com o Chile e não irá disputar a final da Taça das Confederações. Mas irá disputar o jogo do terceiro e quarto lugar. Jogo em que Cristiano Ronaldo não estará presente. O jogador foi dispensado para ir conhecer os filhos que nasceram ainda antes da competição. Há quem não goste disso. Para essas pessoas, deixo este vídeo que diz respeito a uma situação semelhante.

não pode! a sério?!?

Gosto de uma boa teoria. E acabo de descobrir uma relacionada com o logo do McDonald's. E que diz respeito ao significado do logo quando invertido. Aceitam-se palpites para o significado do logo.

28.6.17

violência doméstica. é por isto que os homens não sei queixam

A violência doméstica ainda hoje é muito associada às mulheres. Isto enquanto vítimas. Quando se fala de violência doméstica facilmente se imagina uma mulher que é vítima de violência física e psicológica por parte do marido ou do namorado. Mas a verdade é que existem muitos homens que também são vítimas das companheiras. E se muitas das mulheres não apresentam queixa por medo ou na esperança de que eles mudem, já os homens não apresentam queixa por outro motivo.

Um homem que leva porrada da mulher é um fraco. É assim que todo o mundo olha para um homem que se queixa da mulher. E foi isto que aconteceu na Argentina. Um homem foi à esquadra de Polícia queixar-se da mulher. E no momento de apresentar queixa foi-lhe dito que era "um maricas". Por vergonha, o homem passou a ocultar aquilo que se passava. Resultado: foi apunhalado pela mulher no coração e morreu.

Este exemplo que chega da Argentina é o reflexo daquilo que se passa. Porque existe a ideia de que um homem bater numa mulher é "normal". Todos condenam - assim o espero - mas olham para esta situação como a esperada num cenário de violência doméstica. Quando os papéis se invertem, o homem é um cobarde. Por isto é que os números relativos aos homens são mais baixos do que aquilo que acontece na realidade. Porque eles ainda têm vergonha de apresentar queixa. E quando apresentam, arrependem-se logo.

oito tipos de ex-namoradas que... é melhor ver

é por isto que gosto de lá ir

Este ano tive a honra e o orgulho de ser convidado para ser um dos embaixadores do Grant's Stand Together. Um extraordinário evento de storytelling. E digo isto porque já era fã antes de ser embaixador. Algo que está relacionado com o formato do evento. Que tem um anfitrião - Joaquim de Almeida - que recebe convidados conhecidos que contam histórias que as pessoas desconhecem. E que não costumam ser contadas noutros sítios.

Este ano voltei a ver Joaquim de Almeida emocionado. Fiquei fascinado com a forma como Samuel Úria contou a sua história. Ouvi algo impensável, Júlio Isidro a dizer palavrões. Ri-me (tal como todas as pessoas) de uma história bastante peculiar de Diogo Beja. E adorei cada momento da história contada por Ivo Canelas. Actor que admiro e que contou uma história fantástica que irei reproduzir aqui, de forma abreviada. E sem o brilhantismo da presença de Ivo Canelas em palco.

Numa determinada altura o ator estava no Algarve. E no final de mais um dia de trabalho decidiu ir correr. Algo de que gosta bastante. Até ao momento em que três ciclistas passam por si. Sendo que o último deu-lhe um apalpão. Daqueles à retroescavadora, como explicou. Referindo que é um apalpão traidor. Ivo Canelas chamou ao ciclista o senhor Salsicha Isidoro. Por considerar que os ciclistas têm todos roupa assim. Ou com publicidade ao atum.

Ivo "perseguiu" o ciclista. Que pedalava e se afastava do actor. Até que percebe que vai na direcção do hotel onde estava. Cortou caminho, chegou ao hotel, entrou no carro e foi atrás do ciclista. Que acabou por apanhar numa estrada nacional. E foi aí que se deu a vingança. Com o ator a devolver o apalpão. E não só. Antes que o ciclista conseguisse dizer uma asneira, Ivo Canelas beijo o ciclista na boca. "Apalpas-me a achas que não me beijas", disse (já não sei precisar se foi esta a frase correcta).

Agora é imaginar isto contado por um ator brilhante. Durante coisa de quinze minutos. Com todos os detalhes. Algo fantástico. E algo que não se vê noutro registo. Quem ainda não tem planos para o próximo fim-de-semana, irá realizar-se a edição do Porto. É por histórias como esta que o evento vale muito a pena. Fica a sugestão.

apenas nojento. nada mais do que isso

A tragédia de Pedrógão Grande é uma das maiores de que temos memória num passado recente. Muitas pessoas perderam a vida. Outros sobreviveram, mas ficaram sem nada. Inventaram-se teorias. Trocaram-se acusações. Algo que considero errado. Apesar de entender que existem momentos para discutir tudo aquilo que está errado e que pode ajudar a reduzir um impacto de um incêndio como aquele.

E se considero errado que se atirem acusações para o ar, fico revoltado com o aproveitamento da dor das pessoas que vivem uma tragédia que irá marcar as suas vidas para sempre. E considero nojento o aproveitamento político que se tenta obter de uma tragédia desta dimensão. Ao estilo de "com o meu partido nada disto acontecia". Isto é do pior que pode ser feito. Independentemente da cor política que siga este rumo.

27.6.17

bom para esta hora. e para outra qualquer

Parece que existem listas de músicas que são as mais indicadas para criar ambiente para uma noite especial. São chamadas as músicas ideias para compor uma boa banda sonora de sexo. Até aqui nada me surpreende. A novidade é que músicas, que são consideradas clássicos neste tema, não têm direito a participar nestas listas. Quem o defende são os especialistas da área. Aqui fica uma de boas músicas para uma boa noite.

esta é simples, mas poucos acertam no resultado

26.6.17

quem se recorda do pé de gesso?

Entre muitas outras coisas, faço parte da geração do pé de gesso. E agora que penso nisso, recordo-me imediatamente daqueles fatos de treino com forro. E da trabalheira que dava vestir aquelas calças. Mas voltando ao pé de gesso. Sou de uma geração que só aceitava meias brancas quando usadas pelo Michael Jackson. Ele tinha estilo. Ele podia. Os outros não. E tendo em conta que não sou o Michael Jackson, faço parte daqueles que não as podiam usar.

Não podiam usar. Mas isso não impedia que tivesse muitas meias brancas. Daquelas com uma risca vermelha e outra azul. E daquelas com duas raquetas. Eram as famosas meias da raqueta. "Olha aquele com pé de gesso", dizia-se sempre que alguém usava umas. "Coitado, partiu os pés", brincava-se. Basicamente, todos aqueles que as usassem eram péssimos em moda. E ainda não havia nada dos fashion police e fashion advisers que hoje sabem como todos se devem vestir. Naquela altura, na minha adolescência, as meias brancas eram feias. Não se usavam. Todas as pessoas sabiam disso. Ponto final.

Num passado mais ou menos distante tive a ideia de dançar com a minha sobrinha nas festas populares. Fiz uma entorse e acabei com o pé ligado durante alguns dias. Altura em que recriei a meia da raqueta. Que curiosamente fez algum sucesso. Com pessoas a rir e comentar quando olhavam para a minha meia. Sem saber, parecia que já estava a adivinhar o que aí vinha.


Como a moda é de ciclos, parece que as meias brancas estão novamente na moda. Especialmente com calções. Há até quem pague 80 euros por umas meias brancas. Que agora já não dão direito a rótulo de pé de gesso, mas a de homem com estilo.

o romantismo hoje é estúpido e maricas

Longe vão os tempos em que o romantismo era uma característica fundamental num homem. As mulheres sonhavam com um homem assim. Imaginavam cenários. Algo que o tal homem romântico iria fazer. E os homens, pelo menos parte deles, também gostavam de ter esta vertente romântica. Que não escondiam de ninguém. Não sendo necessário fazer do romantismo uma bandeira eleitoral, era algo que se assumia sem problemas.

Agora não. Agora um homem romântico é um "maricas de merda". Um homem assumir-se como romântico é quase tão grave e feio como dizer que vende droga. Quer dizer, traficar droga é de homem. É coisa de bad boy. Ser romântico é coisa de maricas. E a ideia que tenho é que o romantismo está pelas ruas da amargura. E as pessoas na casa dos vinte e poucos nem sabem o que isto é. Creio também que as mulheres já nem sonham com o tal romantismo que muitas outras procuravam num homem.

É certo que o romantismo também pode ser ajustado à realidade de cada um. Mas creio que para a geração mais nova passa por uma ida à discoteca da moda. Passa por um jantar no restaurante da moda. E pouco mais do que isto. O romantismo cabe entre estas duas coisas. Mais do que isto é entrar no domínio da homossexualidade. Esses é que são românticos. Homem que é homem bebe uma cerveja e arrota ao lado da mulher. E se o arroto fizer esvoaçar os cabelos da mulher é porque o romantismo está no limite desejado.

Creio que as mulheres mais novas não sabem o que é ser convidadas para jantar na casa de um homem. Que além de preparar o jantar, tem uma garrafa de vinho aberta quando chegam. E que tem músicas como Sweet Love, de Anita Baker, Turn Off The Lights, de Teddy Pendergrass, Don't Turn The Light On, de Mayer Hawtorne ou Get Here, de Oleta Adams a tocar.

Isto perdeu-se. Lá está, isto hoje é de homem estúpido. É de maricas. Homem que é homem oferece uma bifana à mulher e antes que acabe de a comer já está a tentar comê-la. à mulher, não à bifana. Isto é a prática comum dos dias que correm. Tal como se acredita que o homem romântico é um "coninhas" que vive na época dos filmes românticos. Não se aceita que o homem romântico também tenha o tal lado mais "carnal". Quando é muito mais fácil que um homem romântico tenha este lado do que aqueles que só têm este, consigam ter o tal lado romântico. De que, assim espero, as mulheres ainda gostam.

a história de amor mais emocionante que vais conhecer hoje


E a prova de que o futebol - e qualquer desporto - vai muito além do que se passa no relvado.

23.6.17

com este calor nem dá vontade de comer

Nos últimos dias tem estado muito calor. São temperaturas daquelas que fazem com que desapareça a vontade de fazer o que quer que seja. Na hora das refeições parece que nem há vontade de comer. Principalmente se forem refeições muito quentes. Dou por mim a refugiar-me em refeições frescas. Em todas as refeições do dia.

Como sou daquelas pessoas que leva comida para o trabalho, isto exige alguma ginástica criativa. De modo a que não esteja a comer sempre as mesmas coisas. Nesse sentido, e a pensar em pessoas como eu, a Origem - Cozinha Saudável partilhou comigo três sugestões de pratos. Que são óptimos para dias mais quentes. E que permitem variar nas refeições.

Salada de quinoa e feilão preto (1 pessoa)
Ingredientes:
1/2 caneca de quinoa
1 caneca de feijão preto
1/2 abacate grande ou 1 pequeno
1/2 caneca de tomates cherry
1/2 iogurte grego
1/2 punhado de coentros frescos
Sal
Pimenta preta

Ingredientes para o molho:
2 colheres de sopa de tahine
1 dente de alho
2 colheres de sopa de molho de soja
1 colher de sopa óleo de sésamo
4 colheres de sopa de água
Sumo de 1/2 limão

Confecção:
1. Lavar a quinoa e cozê-la com o dobro da água (uma caneca), 1/2 colher de chá de pasta de sésamo tahine, sal e sumo de 1/3 lima.
2. Cozer o feijão preto por 30/40 minutos, demolhado previamente por 24 horas, ou utilizar feijão de frasco de vidro bem escorrido e passado por água corrente;
3. Monte o prato com a quinoa, o feijão, o abacate e os tomates cortados e 1/2 colher de iogurte grego temperado com sal e pimenta preta moída na hora;
4. Faça o molho com os ingredientes descritos em cima e passe com a varinha mágica;
5. Verta o molho sobre a salada e polvilhe no final com coentros picados.


Salada de bulgur e hummus (1 pessoa)
Ingredientes:
1/2 caneca de bulgur
1 ovo
1 caneca de rúcula
Açafrão
Sal

Ingredientes para húmus:
1 canecas de grão pré-cozido
1/2 colher sopa de pasta de sésamo tahine
Sumo de 1/3 limão
1 dentes de alho
Sal
Cominhos q.b.

Ingredientes para o molho vinagrete:
Vinagre balsâmico
Mostarda
Azeite
Sal
Pimenta

Confecção:
1. Cozer o bulgur com o dobro da água, juntamente com o sal e o açafrão (poderá colocar mais ervas aromáticas se assim o desejar);
2. Cozer os ovos e enquanto eles cozem, coloque num processador de alimentos os ingredientes para o húmus e deixe passar até ficar um creme homogéneo (ponha mais sal, caso esteja com falta);
3. Montar a salada num dos lados do prato com o bulgur, o ovo picadinho, a rúcula e o molho vinagrete. Do outro lado deverá colocar o húmus e não juntá-lo diretamente com o molho;
(Se desejar um húmus mais exótico, aos ingredientes do mesmo, poderá juntar 1/2 beterraba pequena previamente cozida ou 1/2 pimento encarnado previamente assado e misturar no preparado do húmus).


Salada de frango low calories (1 pessoa)
Ingredientes:
1 peito de frango
1/2 courgette grande ou 1 pequena
Sumo de 1/3 limão
Sumo de 1/3 laranja
Sal
Pimenta q.b

Ingredientes para o pesto:
1 punhado de manjericão
1/3 caneca de pinhões tostados numa frigideira (não necessitam de gordura)
1/3 caneca de queijo parmesão
1/3 caneca de azeite
Sal q.b.

Confecção:
1. Temperar os lombos de frango com sal, pimenta preta moída na hora, sumo de limão e laranja e grelhá-los. Depois de grelhados, cortá-los verticalmente em fatias;
2. Espiralizar a courgette e temperá-la com um fio de azeite, sumo de limão e uma pitada de sal;
3. Colocar os ingredientes do molho pesto num processador de alimentos e deixar passar até ficar um molho cremoso;
4. Montar a salada com o "esparguete de courgette", colocar o frango por cima e verter o molho pesto.
(para um empratamento mais bonito, reserve algum miolo de pinhão tostado do pesto, e coloque-o como topping e mais umas folhas de manjericão frescas).

quem quer ir ao Grant's Stand Together? (vencedores)

O festival Grant's Stand Together começa hoje. E como tinha dito, tenho três convites duplos para oferecer. Em relação ao que tinha dito, existe uma pequena alteração. Os convites só estão disponíveis para o dia 24, para a sessão das 21h30. Peço desculpa por esta alteração. Caso represente algum inconveniente para os vencedores, peço que me avisem de modo a sortear outras pessoas. Peço aos vencedores que me enviem um email [homemsemblogue@gmail.com] com o nome completo, de modo a passar os mesmos à organização. Obrigado e bom espectáculo. Obrigado também a todos os que participaram.

Pauloaeg

A Chata

Erika Krithinas

22.6.17

o melhor sono de todos

Existem estudos e mais estudos sobre o sono. Acabo de ler um que até me é favorável. Que refere que as pessoas que se deitam sempre à mesma hora são mais bem-sucedidas. Uma rotina de sono ajuda, dizem os especialistas. E isto é algo que faço. Costumo deitar-me sempre por volta da mesma hora. Se estiver em casa, deito-me sempre por volta da mesma hora. Isto de segunda a sexta. Faço questão de me deitar de modo a descansar o número de horas que considero essenciais.

Não sendo especialista, não considero que isto seja o mais importante para mim. Se dormir menos, acordo mais cansado. Mas mesmo que durma muito, se a cabeça não estiver bem, isso é que terá influência na forma como lido com o dia. E na forma como vou ser sucedido. O pior é que existe a tendência para empurrar os problemas de um lado para o outro. E na hora de ir dormir, andam de um lado para o outro da cabeça. Influenciando o sono.

E influência também o dia. Com pouca ou nenhuma paciência. Com falta de humor. Com dias cinzentos. E isto acaba por ser muito pior. Os problemas que não se resolvem têm influência no sono. E no dia. Por isso, e reforçando que não sou especialista na matéria, aconselho que as pessoas resolvam os problemas. Isso tem influência no sono. Na relação profissional. Com os amigos. E até nas relações amorosas. Que é o mesmo que dizer que tem influência na forma como cada pessoa é bem sucedida em diversas áreas.

uma espécie de guilty pleasure

Nesta altura do ano adoro ver os programas de futebol. E não me refiro aqueles onde todos gritam e ninguém diz nada de jeito. Para esses não tenho paciência. Gosto é daqueles programas em que se fala de jogadores. Dos que vão ser comprados. Dos que vão ser vendidos. E de todos os outros. Acompanho estes programas quase como um reality show. Só ainda não será este ano que aponto todos os negócios avançados, de modo a perceber os que realmente aconteceram.

aquilo que realmente importa sobre pedrógão grande

Até ao momento morreram 64 pessoas. O número de feridos ultrapassou os 200. Este é o último balanço do incêndio de Pedrógão Grande. E neste momento só uma coisa importa sobre o incêndio. Aquilo que realmente importa é descobrir o desgraçado que deu início ao fogo. Mesmo que ele não existe. Temos de arranjar uma pessoa, mesmo sem nome ou rosto, que seja considerado o culpado do início do incêndio.

E como é que fazemos isto? Ao melhor estilo nacional... com suspeitas. E quem vier a seguir que feche a porta. Lança-se a suspeita. Diz-se que a Polícia Judiciária não percebe nada disto. Que não há cá trovoadas secas. E nunca na vida seria possível a natureza ser responsável por um incêndio desta dimensão. Isso é coisa que só acontece no estrangeiro. Naqueles países distantes que nada têm a ver connosco. Quanto a nós... só há uma solução: alguém ateou o fogo. E damos tempo de antena a todas as pessoas que têm algo a dizer sobre esta teoria. Mesmo que não digam nada.

Não sei se foi fogo posto ou não. Nem isso importa neste momento, no sentido que nada disso dará vida aos que morreram. Mas a verdade é que a Polícia Judiciária apresentou a sua teoria, referindo ter encontrado a árvore onde terá tido início o incêndio. O Instituto Português do Mar e da Atmosfera também já apresentou um relatório. E até prova em contrário - e não me refiro a boatos - esta explicação é credível para mim. Que nestes casos não acho minimamente interessante perder tempo com teorias da conspiração que partem do vizinho que conhece alguém que viu alguém que tinha conhecido alguém que não ouviu nenhuma trovoada seca.

Considero muito mais interessante (e importante) dedicar os próximos tempos a tentar perceber o que funcionou mal. Aquilo que não impede um incêndio, mas que minimiza os danos. Falar do SIRESP. Funciona? Não funciona? Porque não funciona? Falar do incumprimento (apesar dos alertas frequentes) relativo à limpeza dos terrenos, na sua maioria particulares. Discutir a falta de condições da maioria dos bombeiros. Tal como as teorias de conspiração, nada disto dá vida aos que morreram. Mas existe uma grande diferença. É que falar disto, discutir isto, analisar e melhorar o que está mal permite que no futuro existam menos vítimas em incêndios.

20.6.17

quem quer ir ao Grant's Stand Together? (passatempo)

O festival Grant's Stand Together é o grande evento nacional de storytelling. Além de ter sido pioneiro no género, consegue surpreender a cada ano. Já estive presente em diversas ocasiões e sabe sempre a pouco. Recordo-me do anfitrião, Joaquim de Almeida, se emocionar no palco. Recordo-me da hilariante história de César Mourão e da forma peculiar de contar histórias de Valter Hugo Mãe.

Melhor do que falar deste evento é assistir ao Grant's Stand Together. Por isso tenho três convites duplos para oferecer. Para um dia à escolha dos vencedores. Para ganhar só é necessário ser seguidor da página de Facebook da Grant's Portugal, bem como do Instagram da Grant's Portugal. E deixar um comentário neste post com a seguinte frase: "Quero ir ao Grant's Stand Together". O vencedor será escolhido de forma aleatória com recurso ao random.org. O passatempo é válido até final do dia 22 e os vencedores só têm de levantar os bilhetes na bilheteira. Boa sorte!


quando o drama ganha uma dimensão próxima e real

Qualquer tragédia tem o poder de unir pessoas. Quanto maior a dor, maior a união. Está a ser assim com o incêndio dantesco de Pedrógão Grande. Foi assim com o incêndio que consumiu uma torre em Londres. Foi assim com os (cada vez mais frequentes) atentados. Tal como foi assim com o atentado de 11 de Setembro de 2001. Não sei explicar o fenómeno que faz com que algumas pessoas sejam bondosas apenas nestes momentos. Mas, como dizem muitas pessoas, mais vale uma vez do que nunca.

Nestes momentos as pessoas tendem a emocionar-se. E quanto maior for a proximidade, mesmo que ilusória, maior o impacto junto de cada um. Foi assim com o caso do menino sírio que foi fotografado morto numa praia e que se tornou no símbolo da luta de todos os migrantes. Aquele menino podia ser o filho, sobrinho ou neto de muitas pessoas. E essa ideia de proximidade causou um impacto maior.

Não escondo que me emociono com algumas histórias que vou conhecendo nas diferentes tragédias. Já para não falar da tragédia de um ponto de vista geral. Fiquei sem reacção quando ouvi o morador da Grenfell Tower, em Londres, relatar que viu um pai a atirar os filhos pela janela do prédio que era consumido pelas chamas. Ainda hoje fico sem reacção quando vejo o The Falling Man, fotografado em queda livre numa das Torres Gémeas, em 2001. Tal como fico sem saber o que dizer quando vou ouvindo histórias de Pedrógão Grande.

Mas tive uma reacção diferente quando me deparei com a história da família de Sacavém que estava desaparecida. Os familiares e amigos andavam à procura do casal e dos dois filhos que tinham ido de férias para Castanheira de Pêra. Acabei por ir parar à página de Facebook da mulher, na altura desaparecida e com as pessoas à espera de um milagre. Foi aí que vi a última publicação que fez nas redes sociais. Uma foto dos filhos numa piscina.

Quando vi aquela foto engoli em seco. Lembrei-me imediatamente que os meus pais e a minha sobrinha tinham estado naquela mesma piscina num passado recente. Esta associação levou-me imediatamente a pensar na sorte que tive. E a pensar na eventualidade de o incêndio ter acontecido naquela altura. Coisas em que não queremos pensar, mas em que acabamos a pensar. São momentos destes que fazem com que me sinta muito pequenino. Com receio. Com medo de coisas que não controlo. Que ninguém controla.

assim lembram-se deles?

Que esta imagem, partilhada nas redes sociais pelo bombeiro Pedro Brás, fique gravada na memória de todas as pessoas. E que isso faça com que as pessoas se recordem destes heróis durante todo o ano. E não apenas quando acontece uma tragédia. Obrigado por tudo!

ainda sobre os incêndios

Enquanto jornalista sempre me fez confusão a forma como as pessoas olham para as diferentes áreas do jornalismo. A começar pela forma como entendem que as regras são diferentes. Quando na verdade todos os jornalistas têm o mesmo código deontológico. Se o seguem ou não é um tema diferente. Mas todos os jornalistas, quer seja do jornalismo visto como mais sério até ao mais leve, devem seguir as mesmas regras.

Nunca percebi porque é que as pessoas olham, apenas para dar um exemplo, para o jornalismo social (visto como cor-de-rosa) como o elo mais fraco do jornalismo. Compreendo que algumas pessoas não gostem do que esta área trata. O que não invalida que não se consiga distinguir entre bom e mau jornalismo. E por mais que custe a acreditar, existe muito bom jornalismo nesta área. O que se passa é que tende a ser inconveniente para muitas pessoas. E isso faz com que seja visto como falso. Apesar de ser muito verdadeiro. E até ser simpático para muitas figuras públicas nacionais.

Pegando agora no exemplo do desporto. Nesta altura do ano existem largas dezenas de jogadores que são anunciados como reforços deste ou daquele clube. Muitas destas notícias são plantadas. Mas ninguém olha para as mesmas com desconfiança. Pelo contrário. As pessoas olham para as notícias e acreditam imediatamente. Ficam todas felizes porque o seu clube vai ter o reforço Y. Que nunca chega. Porque nunca esteve para chegar. Mas as pessoas nem se preocupam com isso. Foram iludidas e não se importam. Porque entretanto está para chegar outro. Que também não chega.

Daqui salto para os incêndios. Que consomem boa parte dos noticiários dos últimos dias. Com muita pena minha. A cobertura dos incêndios também tem jornalismo para todos os gostos. Coisas bem feitas. Coisas muito bem feitas. E coisas péssimas. Que curiosamente costumam ter mais audiência. Mas felizmente isto começa a mudar. As pessoas começam a distinguir as coisas. E a ser bastante críticas em relação aquilo a que assistem. E a cobertura do incêndio de Pedrógão Grande foi palco de um infeliz momento que está a ser partilhado nas redes sociais.

Estamos a falar de uma pessoa que viveu uma tragédia. E que nessa altura pediu aos "colegas jornalistas" que respeitassem a sua dor. Mas que faz uma reportagem (algo que demonstra planeamento) ao lado de um cadáver de uma mulher. Como se fosse esse detalhe que desse sentido à peça. E que leva as pessoas a colocarem a questão: "Está a respeitar a dor da família daquela mulher?". Episódios como este deram origem a um comunicado para relembrar a forma como os jornalistas devem cobrir uma tragédia destas.

Felizmente existem cada vez mais pessoas atentas a esta realidade. E que a criticam. Depois existem outras que acham a coisa mais normal do mundo. Que não tem mal nenhum. E aqueles que aceitam apenas para este ou aquele meio. Quando isto não deveria ser aceite por ninguém. Nem deveria ser feito por ninguém. E aconselho, a quem ainda não viu o vídeo, o momento em que uma jornalista está a entrevistar um morador da torre que ardeu em Londres. A sua reacção quando o homem conta aquilo a que assistiu. E teria sido tão mais simples explorar a dor daquele homem

19.6.17

o dia em que quase perdi o meu melhor amigo (por causa de uma mulher)

Gosto de acreditar que todas as pessoas tendem a olhar para si enquanto heróis dos melhores amigos. Gosto de acreditar que todas as pessoas já viveram um momento que terminou com um amigo a olhar para si enquanto herói. "És o meu herói", diz o amigo. Eu tenho uma história dessas. Pelo menos aos meus olhos. Mas a verdade é que essa história quase que me custou a amizade de um dos meus melhores amigos. A história que vou contar envolve esse meu amigo e uma mulher. Apesar de adorar esta história, nunca a contei aqui. Mas antes de falar do que aconteceu numa determinada noite, vou falar sobre este meu amigo de quem gosto muito.

A vida é feita de coincidências. E este amigo chegou à minha vida numa delas. Conheci o Cachucho através de um amigo com quem trabalhei. E foi chegar, ver e vencer. Desde esse dia que o Cachucho está na minha vida. Mais tarde chegou o seu irmão mais velho. Duas das pessoas de quem mais gosto. E que dão sentido à amizade, relação que anda pelas ruas da amargura. Tenho uma relação bastante peculiar com este meu amigo. Ligo-lhe perto de outras pessoas e solicito vaga para uma massagem erótica, antes de me despedir com beijos. O que faz com que as pessoas pensem que estou a falar com uma mulher e fiquem a olhar para mim com desconfiança.

Além disso gosto de lhe chamar nomes como p***. Algo que já originou um episódio que envolve redes sociais. Chamar p*** a um amigo não tem nada de mal. Mesmo quando o insulto (neste caso mimo) é feito através de whatsapp. O risco é quando tens, na lista de contactos um Cachucho e um Capucho. Que por acaso é uma antiga glória do Futebol Clube do Porto. O risco é ainda maior quando envias a mensagem à pressa, cheio de confiança. "Então minha p***, como é?", foi aquilo que escrevi. Os minutos foram passando e não tinha resposta. O que é estranho quando se trata deste amigo. Até que o telefone toca. Abro a mensagem e leio: "quem é?". Por breves instantes ainda pensei que fosse o meu amigo a gozar comigo. Na realidade era o Capucho a perguntar quem era a pessoa. Tudo ficou resolvido, sobretudo no que à vergonha diz respeito, com um "é engano". Agradecendo o facto de ter o número do Capucho e ele não ter o meu. Mas não é desta história que quero falar. É do que aí vem agora...

No blogue já dei conta da existência das festas da lua cheia. Que ocorrem no Verão, em noite de lua cheia, na praia do Xiringuito, em Albufeira, no Algarve. A única vez que estive numa destas festas (não sei se ainda existem) foi com o Cachucho. A caminho da festa um carro veio fora de mão na nossa direcção. O que por si só já valia uma história. Mas lá fomos nós. A chegada à praia é algo mágico. A praia só está iluminada por candeeiros de papel. Espalhados pelo pequeno areal e alguns na água. A festa, mesmo "secreta" e numa praia discreta, atrai muita gente. E naquela noite não foi excepção. Não me recordo da música que ouvi. Nem do que bebi. Lembro-me de que estava cheia de gente e do que se segue.

A caminho da manhã, quando muitas pessoas já beberam um pouco mais, estivemos à conversa com um senhor que tinha uma profissão interessante. Aquele homem realizada os sonhos das pessoas. Melhor, dava-lhes vida. Se alguém dizia que gostava de ir pescar amanhã num determinado destino, ele tratava de tudo. Apresentava o preço e lá ia o cliente feliz. Foi no final da conversa com este homem que quase perdi a amizade que me liga a um dos meus melhores amigos. E tudo por causa de uma mulher. A conversa com aquele homem decorreu perto das casas-de-banho. E por sua vez perto do bar. Pois quem já lá esteve (e isto passou-se há alguns anos) sabe que o espaço é pequeno.

Lá estávamos nós quando uma senhora se aproxima pelas minhas costas. A senhora queria saber onde era a casa-de-banho. Que era mesmo ao nosso lado. Mas o meu amigo fez questão de acompanhar a senhora à casa-de-banho. Um pouco de álcool a mais transforma qualquer pessoa numa pessoa simpática e prestável. Recordo-me que se gerou uma confusão com as casas-de-banho. Porque a mulher estava a andar para a errada. "Essa casa-de-banho é dos homens. A outra é que é a das senhoras", disse-lhe. E a mulher em questão diz: "mas a casa-de-banho pode ser multi sexo", puxando-o para que fosse para a casa-de-banho com ela.

Foi aí que surgiu o meu momento herói. Agarrei o meu amigo pelo braço, puxei-o e disse: "Não vais a lado nenhum". Ele ainda insistiu. Que queria ir e tal. Num misto de herói com pai, não o larguei até ter a certeza de que não ia para a casa-de-banho com aquela mulher. Com quem acabaria por ter uma relação sexual fugaz. Além de não o deixar ir, expliquei os motivos. Disse-lhe que a senhora estava muito bêbada. Que tinha idade para quase ser avó dele. E que deveria ter meia dúzia de dentes na boca. Tudo detalhes que não me escaparam. E que ele ignorou. Porque para ele era a Sharon Stone que o estava a desafiar para uma aventura na casa-de-banho.

Costuma dizer-se que todas as histórias têm três versões. Uma de cada pessoa e a verdade. A minha versão, aquela que faz de mim o herói do meu melhor amigo, é a que contei. A do meu amigo é que não o deixei ter um caso com a Sharon Stone. E existe a verdade. Que é a minha versão. Já perdi conta ao número de vezes que nos rimos com esta história. O número de vezes que foi partilhada com amigos nossos. Que acreditam mais em mim do que nele. O que dá mais força à minha versão. Apesar de continuar a dizer que não o deixei viver a aventura da sua vida. Isto de ser herói representa um risco. Mas hoje voltaria a fazer o mesmo. E tenho a certeza de que a única semelhança que aquela mulher poderá ter com a Sharon Stone será o nome. Nada mais do que isso.

Adoro esta história. Adoro a noite em que aconteceu e como aconteceu. Especialmente por ser com este amigo de quem gosto tanto. Apesar de gostar tanto desta aventura - em que continuo a acreditar ser o herói - nunca tinha falado dela aqui. Mas aceitei o desafio do Festival Grant's Stand Together e contei a minha história. Uma daquelas que irei recordar para sempre. Estas histórias desconhecidas são um dos motivos pelos quais gosto tanto deste festival. Que vai decorrer no Cinema São Jorge, em Lisboa, nos dias 23 e 24 de junho. E na Fundação de Serralves, no Porto, nos dias 1 e 2 de julho. E onde voltarei a ir.