11.5.17

estranho (e incompreensível) fenómeno

No último texto dei conta de toda a euforia existente em torno de Salvador Sobral e da sua participação no Festival da Canção e agora na Eurovisão. Não está em causa o cantor, o seu talento, nem os programas. Mas a euforia em torno de algo que passa a ser popular. Neste caso específico já perdi conta ao número de pessoas que "odiavam" o festival da canção e que agora estão na primeira fila a aplaudir Salvador e a pedir que represente todos os portugueses!

Este fenómeno é no mínimo estranho. Mas não é raro. Todos querem ser amigos de quem é mais popular. Todos querem ter os ténis que estão na moda. E quem diz ténis pode dizer sapatos, calças, vestidos e por aí fora. Todos querem ir ao cabeleireiro da moda. Ser maquilhados pela maquilhadora da moda. E por aí fora. Mesmo que não se aprecie assim tanto tudo isto que referi.

Não sei se tudo isto passa pela necessidade de aceitação. Pelo medo do rótulo de diferente. Pelo receio de ficar em segundo lugar numa, às vezes cruel, corrida de popularidade. Mas considero tudo isto muito estranho. Não compreendo a necessidade de fazer parte de uma moda. Especialmente quando isso acontece apenas porque sim. Apenas porque é moda. E porque fica bem dizer que se é adepto dessa moda.

8 comentários:

  1. Moda? A música é boa e as pessoas estão felizes por serem bem representadas. Não percebo o que tem a moda a ver com este tema, acho que há aqui confusão de conceitos.

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    1. Vou tentar explicar melhor a "moda". EM Portugal ninguém liga ao atletismo. Até ao momento em que o Nelson Évora ganha uma medalha (algo que o próprio atleta já referiu, salientando que quando não ganham ninguém os vai esperar ao aeroporto e quando ganham todos dão palmadinhas). Ninguém gosta de judo até ao momento em que a Telma Monteiro ganha uma medalha. Ninguém liga aos atletas paralímpicos, até ao momento em que ganham medalhas. É neste sentido que falo em modas. O Salvador Sobral já cantava nas ruas, já tinha um álbum e aparentemente já sabia cantar. Onde estavam os seus fãs nessa altura? Acho que já tivemos músicas boas e sou da opinião de que independentemente da música, devemos apoiar quem concorre. Só isso!

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  2. Já fui grande fã dos festivais, nos tempos em que o Ary dos Santos apresentava sempre uma ou mais canções ao festival.Depois desliguei e não via nem cá nemlá há mais de vinte anos. Este ano não vi cá e vi lá por acaso. Sinceramente, gostei do poema, achei a interpretação do Salvador que não conhecia, muito interessante.
    Abraço

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    1. Este ano o Festival da Canção conseguiu ser melhor do que vinha sendo ao longo dos anos.

      Abraço

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  3. Olá :)
    Hoje não estamos em sintonia. Eu pertenço ao grupo, pelos vistos tremendamente abrangente, de pessoas que não ligavam peva ao festival da canção, e que voltaram a assistir graças à representação do Salvador. Não o faço porque é moda, mas sobretudo porque me entusiasmou uma canção que parece deslocada, pela sua poesia, sobriedade e sonoridade, do que normalmente o festival da canção e a eurovisão oferecem. Fosse a nossa prestação, como já foi em anos anteriores em que não passei cartão ao festival, estridente e pindérica, como aliás a grande maioria das representações que vi nesta semi-final, não sentiria nenhuma vontade de acompanhar a coisa, mesmo que fosse moda.

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    1. Percebo tudo isso mas não consigo concordar. E recordo o caso de Leonor Andrade que tinha uma música com qualidade e a que ninguém ligou, preferindo falar mal (sem ver o festival) e criticando por a vencedora ser uma actriz que fazia parte de uma série da rtp.

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  4. A par das telenovelas brasileiras, o Festival da Canção é, para mim, uma memória longínqua. Do tempo em que só tínhamos um canal televisivo e o mundo era, definitivamente, mais pequeno.
    Há umas semanas atrás, o YouTube sugere-me a música portuguesa concorrente deste ano e é aí que me dou conta do fenómeno Salvador Sobral. Falamos de um puto interessante, diferente da maioria da sua geração, por aquilo que me foi possível apreciar, depois ​de googlar um pouco; gosto dele. Mas, como dizes, é uma moda, mais uma, e qualquer moda que se preze é efémera.
    O que, pelo contrário, relevo é a música. E a letra. Ambas doces, deliciosas, melódicas. Sugerem glamour, os loucos anos 20! E a voz do puto encaixa na perfeição.
    Não vi o apuramento; soube o resultado no dia seguinte, pelos adeptos da moda, e fiquei satisfeita.
    Não me parece que vá ver a final, mas admito que gostaria muito que ganhasse. A música, que é linda!

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    1. Acho que ele próprio tem noção de que é um fenómeno que poderá (ou não) prolongar-se no tempo.

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