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4.5.17

ter filhos! ter filhos! ter filhos!

A obrigatoriedade de ter filhos é provavelmente uma das maiores pressões a que as pessoas estão sujeitas. E a barreira dos trinta anos é provavelmente o limite para colocar em prática aquele que é o desejo da sociedade. Ou temos filhos aos trinta anos ou deixamos de ser pessoas. Passamos a ser qualquer coisa que existe mas que lamentavelmente não deu mais um filho à sociedade.

Digo isto porque os trinta anos são aquela idade em que as pessoas mais ouvem “quando tens filhos?”. Acho que a insistência é tanta que existem pessoas que chegam a perguntar isto a quem nem sequer está numa relação. Acredito que quem o pergunte nem sempre o faça por mal. Mas a verdade é que a pergunta é feita muitas vezes. Mesmo muitas vezes!

E se a pergunta parece banal, as pessoas precisam de compreender que a resposta pode não ser. Porque a única resposta que as pessoas estão preparadas para ouvir é “sim, quero ter já”. Tudo o que vá além disto é muito complicado. E nem sempre as pessoas querem falar dos motivos pelos quais não têm filhos. Quer seja porque não conseguem, porque não querem ou porque não querem no imediato. E tudo isto é conversa que os “aspirantes a pais” não querem ter. Porque, lá está, as pessoas só estão formatadas para o sim e nada mais.

Volto a dizer que não olho para as perguntas com maldade. Até porque as mesmas são feitas por familiares, amigos próximos, amigos afastados, colegas de trabalho e por tantas outras pessoas. Aquilo que gostava de perceber é se as pessoas que fazem essa pergunta conseguem perceber o alcance das mesma e tudo aquilo que poderá envolver.

10 comentários:

  1. Aí está uma pergunta que nunca fiz, nem farei a ninguém. Sei bem o que é essa pressão e até onde ela +ode levar a pessoa em questão, se muito os deseja, e não os pode ter. E nem sempre as pessoas nos massacram sem maldade. Há gente muito cruel. Lembro-me que em 75 uma pessoa me disse a propósito "Já lá diz a Bíblia, arvore que não dá fruto arranca-se pela raiz"
    Um abraço

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    1. As pessoas continuam a não ter a noção de tudo o que implica essa pergunta.

      Abraço

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  2. Olá :)
    Estou-me aqui a rir, não por maldade, mas porque já passei por tudo isso. Durante anos a fio fui alvo do discurso da "seita das fraldas", dos seus interrogatórios, dos seus argumentos sobre como é fantástico ter bebés, etc. E durante anos a fio consegui ser extremamente diplomática com a multidão de gente que vai da família mais próxima a simples conhecidos, que quando toca a este tema parece que perde um bocado a noção. Depois a paciência esgotou-se. Havia pessoas que pareciam discos riscados e infligiam-me o mesmo discurso todas as vezes que me viam. Um dia passei-me dos carretos, mandei a diplomacia às urtigas e comecei a declarar publicamente entre um palavrão e outro que a minha paciência tinha acabado, e que comigo o tema passava a ser tabu, e quem insistisse haveria de conhecer um lado meu muito mais malcriado.

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    1. Às vezes é assim que se consegue resolver isto. Isso ou começar a dar respostas completamente fora da caixa.

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  3. Eu acho que as pessoas não pensam, ponto. Esse é o tipo de pergunta que, a meu ver, nunca é aceitável. Eu tenho apenas 26 anos e desde que fui viver com o meu namorado que não param de me perguntar isso. Ele é um pouco mais velho, é verdade, mas mesmo assim... E mesmo que eu já tivesse mais de 30 não acharia aceitável. O casal pode estar a tentar e não conseguir, podem não querer mesmo ter, podem não estar ainda de acordo com essa decisão e isso causar desconforto ou podem ter perdido um bebé e isso doer imenso. Este último é o nosso caso. Só gostava que as pessoas conseguissem entender isto, há muitas razões e eu não quero ter de explicar que cada vez que me perguntam isso me dói tudo. Por isso: calem-se!

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    1. Um belo exemplo de muitas coisas que as pessoas não percebem quando fazem a pergunta. Obrigado pelo teu testemunho.

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  4. Com vinte e seis anos e já me começam a perguntar. A brincar, a brincar... dizem.

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  5. Estou a passar por um momento muito doloroso na minha vida. A infertilidade. As pessoas não fazem ideia do que é viver com esta cruz, com esta incapacidade, com uma rotina de consultas e exames, muitas vezes em segredo e com pequenas mentiras pelo meio, para não ter que dizer a verdade. Não sabem a dor que é, ter que responder que não quero filhos para já, quando na verdade, tudo o que eu queria era ter um filho agora! Além disso, este tema é inesgotável e sempre presente, todos os amigos a terem filhos, todos os colegas de trabalho...o ter que ouvir que uma vida sem filhos é com um jardim sem flores, que assim nunca se vai conhecer a verdadeira essência do amor...um arraso para quem já está na lama!

    As pessoas que fazem essas perguntas, se conhecem o casal, a sua história e os seus planos, deveriam perceber que algo não está bem e deviam evitar esse constrangimento.

    Imagino que também seja muito doloroso para a pessoa que tem o sonho de ser mãe/pai e está sozinha(o).

    Assim como deviam respeitar quem não quer ter filhos, só porque não.

    A sociedade não perdoa estes 3 casos! Haja paciência! :)

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    1. Antes de fazer qualquer pergunta, todas as pessoas deveriam ler o teu comentário. Assim, talvez mudassem.

      Obrigado :)

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