13.12.17

será que o jornalismo não serve mesmo para nada?

Muitas pessoas defendem que o jornalismo não serve para nada. Que só existem maus jornalistas, que estão todos comprados, que isto e aquilo. Até que surgem reportagens como aquela que Ana Leal fez sobre a Raríssimas.

Fica a questão: será que as pessoas sabiam o que acontecia na associação sem o jornalismo? Afinal... faz falta. É sempre fará. E só quando deixar de existir é que as pessoas vão perceber a falta que faz.

Se não fosse o jornalismo, muitas coisas continuariam escondidas. E a ser feitas sem que as pessoas se apercebessem. O jornalismo é mesmo muito importante para todos. Mesmo para os que falam mal dele. 

10.12.17

vergonha do triunfo do mal ou raríssimas

Vi atentamente a reportagem da Ana Leal sobre a gestão que Paula Brito e Costa faz da Raríssimas, uma associação que sobrevive de verbas do Estado e de donativos. E senti vergonha do primeiro ao último segundo da reportagem.

Não fico surpreendido com esta realidade. Até porque certamente que este não é o único caso. Aquilo que me espanta é a forma como isto ainda é possível. Como é que as pessoas não falam. Como é que se pode permitir que estas associações tenham liberdade para que seja fácil pessoas como estas fazerem o que fazem.

É por isto que as pessoas são cada vez mais desconfiadas. Já não sabem se devem ajudar porque não sabem qual o destino do dinheiro que doam. E neste caso serve para pagar gambas, vestidos de luxo, carros caros e ordenados de familiares.

Lamento pela Raríssimas (e não confundo pessoas com causas), de quem depende da associação é de quem precisa dela. Espero uma resposta breve de quem manda. E espero que sirva de exemplo para que nada disto volte a acontecer.

9.12.17

guloso: ser ou não ser?

Percebes que não és guloso quando encontras doces em casa que a validade acabou em 2015. E outros em 2016. 

5.12.17

falta de cultura musical

Gosto de música. Não sou fanático por nenhuma banda ou género, mas adoro música. Gosto de ouvir de tudo um pouco e gosto de acreditar que faço parte de uma geração que foi brindada com grandes bandas e excelentes trabalhos. A isto junta-se a cultura musical que bebi de pessoas mais velhas do que eu.

Um fenómeno que creio está cada vez mais perto do fim. Assusta-me que no futuro as referências musicais dos adultos (hoje jovens) sejam os grupos de qualidade duvidosa que estão em todo o lado. Artistas que não o são. Mas que os jovens adoram.

Será triste ter uma geração adulta que não saberá quem foi um Frank Sinatra. Só para dar um exemplo. E podia passar horas a falar de grandes nomes. E até posso ir buscar projectos mais recentes que muitos jovens hoje desconhecem.

A cultura musical não dita o futuro da maioria das pessoas. Mas entristece-me saber que grandes nomes não vão passar de um simples tema de conversa entre um grupo específico de pessoas que ainda os mantêm vivos.

4.12.17

pais, isto é normal?

Nota prévia. Adoro crianças. E desde que nasceu que estou habituado a ter a minha sobrinha em casa. Mas não considero normal que pais incentivem uma criança a saltar em casa como se estivesse numa qualquer cama elástica. O barulho é tal que parece que a criança está a dar cabeçadas na parede. Isto enquanto os pais gritam de alegria.

Compreendo barulho em datas específicas como aniversários, Natal, Passagem de Ano e por aí. De resto, não compreendo os motivos que levam pais a incentivar um comportamento nada adequado para quem vive em sociedade. E com vizinhos por baixo (que não é o meu caso e o barulho era bastante inconveniente).

As crianças devem brincar. Mas também devem saber o que podem fazer. Onde podem fazer e a que horas podem fazer. Esta é a minha ideia. E o barulho continua, como se fossem os únicos do prédio.

28.11.17

o triste exemplo de joão ricardo

Infelizmente João Ricardo perdeu a luta contra o cancro. Um triste desfecho que já era aguardado, por mais que todos quisessem acreditar num milagre. Quando se soube que o ator tinha morrido, teve início um dos piores fenómenos das redes sociais. Que curiosamente só atinge "famosos". E que passa por dedicar palavras a quem morre, como se fosse o amigo de uma vida.

Compreendo que pessoas anónimas partilhem uma homenagem nas redes sociais. Por mais que isto seja estranho para muitas pessoas, acredito que todos criamos empatia com determinadas figuras de quem passamos a gostar por um qualquer motivo. E não vejo nada de errado nisto.

Aquilo que acho absurdo é quando figuras públicas começam a partilhar grandes dedicatórias. "Ensinaste-me isto", "nunca mais fui o mesmo depois de trabalhar contigo", "eras muito importante para mim", e mais outras frases. Até que chega o momento do velório. E do funeral. E ninguém lá mete os pés. Ninguém aparece. Ninguém tem palavras bonitas e frases fofinhas para partilhar.

Aceito que possam lidar mal com a morte. Que não consigam estar em velórios nem funerais. Mas é muita coincidência isto acontecer SEMPRE que morre uma figura pública. O que é triste. Porque ninguém obriga ninguém a fazer aquelas homenagens. Neste caso específico cheguei a ouvir homenagens de pessoas que nem sabiam que o actor estava doente.

Numa altura que se fala muito do aproveitamento desnecessário da dor dos outros... não sei o que chamar a este fenómeno. Muito triste!