28.4.17

só um ano de castigo? esta mulher nunca mais deveria trabalhar

Começo por dizer que tento compreender ao máximo as outras culturas. Mas existem alguns pormenores que me escapam. Como saber que uma actriz de 24 anos foi castigada por vestir-se de forma demasiado sexy. Algo que o Camboja não aceita! Como tal, durante um ano Denny Kwan está proibida de participar em filmes, videoclips ou mesmo aparecer em programas de televisão.

Tudo isto porque as autoridades não gostam das fotografias que a jovem em questão partilha nas redes sociais. E que não são nada de extraordinário, mesmo para uma mente mais fechada. E esta é a opinião de alguém que está habituado a ver mulheres praticamente nuas nas redes sociais e que vê apenas alguns decotes mais generosos nas fotos desta mulher. Ressalvo que a minha cultura é diferente daquela que pelos vistos impera no Camboja.

Até o porta-voz do ministério das Mulheres realçou que Denny não tem o direito de se vestir assim, até porque é uma figura pública. Além disso, a actriz já tinha sido convocada para aquilo que foi considerado uma reeducação, de modo a que se vestisse de forma mais apropriada. Por isso... bem vistas as coisas, um ano de castigo é pouco. Esta mulher nunca mais deveria trabalhar! Só caso aceitasse estar embrulhada num cobertor que a tapasse dos pés à cabeça!

27.4.17

mais de dez anos depois... chegou ao fim

Hoje participo naquele que será o meu último fecho de edição da publicação onde trabalho há mais de dez anos. Aquela (sem contar com o estágio de três meses numa revista que infelizmente já não existe) onde sempre trabalhei. Na minha página de facebook pessoal partilhei a fotografia da primeira capa em que participei, mesmo só tendo escrito meia dúzia de breves.

Na publicação onde agradeço às pessoas com que me cruzei ao longo destes anos recebi comentários de amigos e de pessoas com quem trabalhei. E no fim de contas é isto que realmente importa. É isto que guardo. As memórias que diversas pessoas tornaram possíveis. É isto que dura desde o primeiro dia em que entrei na redacção até aquele que será o último. E o melhor que podia receber neste dia simbólico são as palavras daqueles de quem gosto.

É mais um exemplo de que a vida é feita de momentos e de pessoas. Pelo menos é assim que a vejo. Irei recordar pessoas, histórias e vivências. Muito mais do que qualquer artigo que escrevi. Do que qualquer capa que surgiu por minha iniciativa e por causa do meu trabalho. São estas coisas que dão encanto à vida. Que a tornam mais saborosa e inesquecível.

Agora é tempo de pensar no futuro. Mais de dez anos depois digo adeus ao papel. Acaba-se uma publicação física. O futuro, pelo menos aquele que me espera no imediato, passa pelo digital, que há muito é visto como o futuro do jornalismo. E estou entusiasmado com o mesmo, por tudo aquilo que representa e pelas novidades que estão associadas ao mesmo.

já tinha saudades disto

Neste texto já tinha falado de Designated Survivor, uma série exclusiva Netflix, série de televisão com a qual me cruzei por sugestão da Netflix. Aquilo que me chamou a atenção foi o protagonista – Kiefer Sutherland – por quem me apaixonei no papel de Jack Bauer. Vi o primeiro episódio, gostei mas acabei por não dar seguimento à série. Porque estava a acabar de ver Homeland.

Agora voltei à série e posso dizer que já tinha saudades disto. E o “isto” é de uma série que me prenda à televisão, episódio por episódio. E ontem dei por mim às 01h32 a ver episódios atrás de episódios. E só parei porque decidi que seria melhor ir dormir pois o tocar do despertador estava cada vez mais perto.

Kiefer Sutherland está muito bem no papel de um Secretário de Estado que se vê repentinamente no cargo de Presidente dos Estados Unidos da América (é daí que vem o nome da série). Mas cada episódio está cheio de ingredientes que tornam tudo ainda mais interessante. De histórias cruzadas que nos deixam a pensar no que vai acontecer. E que fazem com que seja complicado desistir da série. É o tal “é só mais um episódio” que se vai repetindo a cada um.

Falar do personagem de Kiefer Sutherland [Tom Kirkman] é pouco. Kal Penn [Seth Wright], que há muito deixou de ser o actor dos filmes engraçados de adolescentes, também vai muito bem. Tal como Adan Canto [Aaron Shore], a quem não tinha prestado grande atenção, e Maggie Q [Hannah Wells]. Já para não falar de Italia Ricci [Emily Rhodes] que tem tudo para ser uma das minhas preferidas.


Política, terrorismo, jogos de bastidores, lutas de poder, relação pais e filhos e romance, entre outras coisas, são ingredientes que estão muito bem misturados em Designated Survivor. E que fazem com que seja muito complicado ver apenas um episódio. Fica a dica para quem procura uma série de grande qualidade, algo que a cotação no IMBD [8/10] comprova.

26.4.17

ninguém quer ser rejeitado

Ninguém gosta de ser rejeitado. Seja no que for. Ninguém gosta de levar uma “tampa” da mulher ou homem de quem gosta. Ninguém gosta de ficar de fora das escolhas dos jogos entre amigos. Ninguém gosta de não ser escolhido numa entrevista de emprego. Ninguém gosta de ficar de fora de um jantar de amigos e por aí fora pois os exemplos são mais do que muitos. Mas uma coisa é não gostar de ser rejeitado. Outra completamente diferente é não saber lidar com isso e viver na ilusão de que só os outros é que são rejeitados.

Defendo isto porque faço parte de uma geração em que a rejeição era algo normal. Provavelmente todos os meus amigos levaram “tampas” na adolescência. Mesmo os mais populares e aqueles que se julgavam a última bolacha do pacote. Algo que agora parece ser algo controlável. E um conceito que se “vende” e oferece em tudo e mais alguma coisa. Até nas aplicações que prometem fazer com que todos encontrem a sua cara metade (ou alguém com quem passar umas horas agradáveis).

Primeiro surgiram as aplicações que prometem juntar almas gémeas. Depois aquelas que são sinceras e não escondem que o intuito das mesmas é saciar o desejo sexual dos utilizadores que, em jeito de bónus, até podem encontrar o amor das suas vidas quando apenas procuravam uma boa sessão de sexo. Estas promessas estão de mãos dadas com uma série de filtros que vão do peso a detalhes como tatuagens no corpo, piercings e tudo e mais alguma coisa.

Mas isto não basta! É preciso associar a ideia de que ninguém será rejeitado, conceito que normalmente significa pagar algo pois, como dizia o meu professor de economia na faculdade: não existem almoços grátis. Já não basta dizer que a aplicação serve para isto ou para aquilo. Agora as aplicações são para os melhores dos melhores. Para os mais inteligentes. Para os mais bonitos. Para aqueles que têm os melhores corpos. É um mundo onde não existe espaço para os rejeitados.

E esta ideia cativa toda um vasto número de pessoas. A começar porque todos acham que têm os requisitos necessários para fazer parte do tal universo de vencedores. Todos querem estar a nadar no tal aquário frequentado por vencedores e onde os pescadores são também vencedores. Por outro lado, porque todos têm medo da rejeição. Mesmo que eventualmente ocorra numa rede social. E em muitos casos os melhores acabam por estar fora do aquário onde todos querem mergulhar. Mas a sociedade está direccionada para o aquário dos vencedores. E mal daqueles que lá não querem estar.

porque as mamas continuam a ser censuradas nas redes sociais

As mamas continuam a ser censuradas nas redes sociais. Mesmo quando o motivo é alertar para a prevenção para o cancro da mama, uma doença que rouba a vida a muitas mulheres (e também a homens). Mas a MACMA (Movimento de Ajuda ao Cancro da Mama) continua a contornar a censura com bastante criatividade, fazendo com que a mensagem (às vezes pesada) seja transmitida de forma mais ligeira. Aqui fica o exemplo mais recente.

a psp está no bom caminho mas...

Longe vão os tempos em que aqueles momentos em que um agente da Polícia de Segurança Pública falava à Comunicação Social eram rapidamente transformados num momento de humor. Quer fosse pela imagem do agente, rapidamente associada a todos os agentes, quer fosse pelo discurso. Ficava a ideia de que a comunicação, que acaba por ser a ligação com as pessoas, era relegada para segundo plano. Era algo sem interesse aparente.

Mas tudo mudou. E muito. Actualmente a PSP é um exemplo no que diz respeito ao uso das redes sociais para comunicar com os cidadãos, ao mesmo tempo em que alerta as pessoas para diversas situações que eventualmente passariam despercebidas às pessoas. Além disso, os agentes já não têm aquela imagem com que as pessoas costumavam brincar. E ainda bem que assim é.

Se a página de Facebook é um excelente exemplo do bom uso que pode ser dado a uma rede social, os sub-comissários Sílvia Caçador e Hugo Abreu são bons exemplos desta nova onda de agentes de autoridade que conseguem cativar as pessoas. É certo que isso está quase sempre associado à imagem. Muitas pessoas vão dizer que só reparam neles porque são considerados bonitos e atraentes. Algo com que discordo.



E acho que a PSP está no bom caminho com a forma como lida com a comunicação e a presença nas redes sociais. A única coisa que alterava, apesar de compreender, é o discurso que ainda vão tendo, com recurso a palavras que fazem parte do vocabulário dos agentes mas que raramente são utilizadas pelas pessoas diariamente. Só falta que o discurso seja adaptado para que tudo seja ainda melhor.

está na altura de mudar

A vida é feita de mudanças. O que lhe confere algum gosto pois impede a monotonia em diversas facetas da vida de cada um. E aquilo que tenho notado ao longo dos anos, profissionalmente falando, é que existem muitas pessoas que têm medo da mudança. Pessoas que se agarram, em alguns casos, a muito pouco como se isso fosse aquilo de melhor que têm.

Essas pessoas deixam que o medo (algumas vezes imposto, outras é algo pessoal que está relacionado com a personalidade de cada um) as reduza a um espaço muito mais pequeno do que aquele que merecem. Conheço pessoas de enorme talento que andaram a perder tempo com receio do que poderia vir. Até que não têm outra hipótese que não seja lidar com o futuro que temiam. E rapidamente percebem que são muito melhores do que pensavam e que não tinham motivos para recear o que quer que fosse.

Não nego que já tive os meus momentos de receio. E não lhes chamo medo porque nunca deixei que alguém fizesse chantagem comigo com base em ameaças que rondam o medo. Tal como nunca deixei que os meus próprios receios atingissem patamares de medo que não consigo controlar. O que faz com que a mudança nunca tenha sido problemática para mim. E espero que assim seja para sempre.

Já procurei a mudança com sucesso. Já procurei a mudança sem sucesso. A mudança já me bateu à porta quando esperava. Tal como já apareceu sem ser convidada. E todos estes momentos servem de lição. Agora chegou o momento de mudar. Uma mudança que desejava há muito. E que não me assusta em nada. Aliás, faz com que me sinta vivo. Algo que não sentia há muito tempo.