30.8.16

quem pode criticar?

Adrien Silva é o homem do momento. Tudo porque, através de uma entrevista, o jogador manifestou o desejo de sair do seu clube (Sporting) para prosseguir a carreira noutro campeonato (inglês). Diz também que lhe foi feita a promessa, pela entidade patronal, de facilitar essa mudança. Por sua vez, o clube não se mostra inclinado a vender o jogador, excepto por um preço proibitivo para muitos clubes (45 milhões de euros).

Agora, de um lado estão as pessoas que defendem o jogador. Do outro, as pessoas que defendem o clube. Independentemente de criticar ou defender o jogador, quem é que não aceitava (ou ficava com a cabeça a andar à roda) uma proposta para fazer aquilo que gosta, neste caso jogar futebol, ganhando quatro ou cinco vezes mais (de acordo com os valores avançados)?

o tabu da vagina

Lady Garden é o nome de uma campanha que tem por objectivo alertar as mulheres para cancros ginecológicos ao mesmo tempo que pretende fazer com que as mulheres afectadas abordem a doença e percam os complexos com o corpo. No site da campanha fica-se também a saber que Lady Garden é o nickname dado à vagina, sendo que desafiam as mulheres a partilhar o nickname que dão à sua.

Os anos vão passando mas existem coisas que vão mudando muito lentamente. Por exemplo, as mulheres ainda têm alguma dificuldade em dizer a palavra vagina. De acordo com os responsáveis da campanha, 86% das mulheres que têm conhecimento da campanha passam a dizer a palavra vagina com maior facilidade. E mais importante do que isso, a mesma percentagem de mulheres fica mais alerta em relação aos cancros ginecológicos, aos sintomas dos mesmos, tal como passam a falar de forma aberta em relação à saúde das suas vaginas.


Como acontece com praticamente todas as doenças, o melhor é que seja detectada de forma precoce. Por isso, está na altura de colocar de lado o tabu em torno da vagina. Está na altura das mulheres falarem abertamente sobre a sua saúde e, acima de tudo, de não ignorarem os exames de rotina que podem ser muito importantes. "Há um tabu em torno das vaginas e quero livrar-me dele. Faz parte da nossa anatomia. Acho que toda a gente deve sentir-se confortável ao estar nu, porque todos temos um corpo bonito", defende Cara Delevingne, a imagem da campanha.

Os cancros ginecológicos são cada vez mais frequentes. E de acordo com números recentes são responsáveis por 19% dos diagnósticos anuais mundiais. Apesar do aumento deste número, poucas pessoas os conhecem e poucas fazem o ideal para os prevenir. Os cancros ginecológicos são cinco: colo do útero, ovário, vagina, vulva e endométrio.

Aproveito para partilhar os principais sintomas associados aos cancros ginecológicos:

- Dor pélvica;
- Inchaço abdominal;
- Dores nas costas;
- Sangramento vaginal anormal;
- Febre;
- Dores de estômago ou alterações intestinais;
- Perda de peso;
- Anormalidades na vulva ou vagina;
- Alterações na mama;
- Fadiga.

portuguese do it better

29.8.16

sabes quais as coisas mais sujas que tens em casa? (a explicação)

Será que as pessoas têm noção de quais as coisas que têm em casa que são as mais sujas? Creio que não! Acho que poucas pessoas perdem tempo a pensar naquilo que faz com que um lar possa ser igualmente o local ideal para a transmissão de doenças. E pior do que perder tempo a pensar nisso, poucas pessoas dedicam a atenção (limpeza) necessária a algumas coisas que constam no top 10, divulgado pela Universidade de Barcelona, das coisas mais sujas que se encontram em casa. A saber:

Brinquedos
Quem tem filhos certamente terá brinquedos espalhados pela casa. Que são partilhados com adultos ou com outras crianças que acabam quase sempre por colocar os mesmos na boca, o que faz com que sejam um foco de germes e bactérias. Fica a questão: quem desinfecta brinquedos?

Maçanetas
Todos lhe metem as mãos. Mas poucos se lembram de as limpar. A sujidade acumula-se e são vistas como ideais para a transmissão de vírus como o da gripe.

Escova de dentes
Indo directo ao assunto, as escovas podem ter bactérias como estafilococos, bactérias coliformes, pseudomonas, leveduras, bactérias intestinais e germes fecais. (0% das escovas examinadas continham "apenas" milhões de microorganismos prejudiciais à saúde.

Casa-de-banho
Não é complicado perceber o motivo pelo qual tem muitos germes. Neste estudo (contou com mil famílias) apenas 56% das famílias assumiu fazer a higienização diária das casas-de-banho. E apenas 32% diz que os desinfecta.

Lava-louças
Pode parecer estranho mas concentra 100 mil vezes mais germes do que a casa-de-banho. 14% dos lava-louças continha mais de um milhão de bactérias por metro quadrado.

Tábuas de cozinha
Aproximadamente 20% das infecções alimentares ocorrem em casa e a culpa deste problema é da salmonela, a escherichia coli e o campylobacter. E estes microorganismos são encontrados com alguma facilidade em tábuas de madeira não desinfectadas. Devem ser lavadas na máquina a 60 graus Celsius.

Esponja e panos de cozinha
Costumam estar húmidos, o que faz com que os germes se concentrem em ambos e com que tenham facilidade na proliferação. Podem sobreviver até duas semanas numa esponja húmida.

Chão
A maioria das pessoas não se descalça quando chega a casa. Isto faz com que seja normal que se acumulem germes e outros microorganismos. De acordo com um estudo, as bactérias necessitam apenas de dez segundos para colonizar um pedaço de alimento que cai no chão.

Torneiras
Tal como acontece com o lava-louça, a humidade e o material orgânico acumulado criam o ambiente perfeito para as bactérias.

Computador, telemóvel e comando
Acumulam apenas qualquer coisa como 450 tipos de germes. Basicamente porque nunca são lavados. O teclado de um computador pode ter 30 vezes mais microorganismos do que uma casa-de-banho limpa.

Analisando a lista, acho que a surpresa é quase nula. As pessoas é que não pensam muito no assunto. E talvez seja mesmo melhor não o fazer.

sabes quais as coisas mais sujas que tens em casa? (desafio)

Desafio muito simples. Será que alguém consegue enumerar quais as dez coisas mais sujas que existem numa casa?

intimidade (público vs privado)

A modelo portuguesa Sara Sampaio revelou recentemente a sua tristeza pelo facto de ter sido fotografada em topless durante as férias. É óbvio que ninguém gosta de ser fotografado assim. É certo que ninguém gosta de ver a sua intimidade exposta deste modo. Mas a verdade é que existem aspectos que fazem toda a diferença e que as pessoas desconhecem.

Por exemplo, Sara Sampaio refere que está em privado. Mas não está. Pelo menos no local. O barco está num local público. E Sara Sampaio é uma figura pública. Por isso, legalmente, não existe nenhum crime em publicar uma foto sua em topless ou mesmo toda nua. A lei permite que assim seja. Mesmo estando num barco. A portuguesa está num local público. Tal como o fotógrafo que capta o momento. Aqui o crime não é nenhum. Pode debater-se a questão moral e tudo mais mas crime não existe nenhum.

Por outro lado, qualquer cidadão anónimo está protegido por uma lei que não se aplica a Sara nem a outras figuras públicas. Os anónimos podem queixar-se se forem fotografados em topless nestes moldes sem existir consentimento para a publicação das imagens. E aqui a lei está do lado das pessoas. Por exemplo, uma reportagem na televisão aborda a impotência sexual ligada ao consumo de tabaco e depois mostram um vídeo de um homem anónimo de cigarro na boca. Este homem pode queixar-se, caso não tenha dado consentimento à utilização da sua imagem para ilustrar a impotência.

Uma figura pública não tem de dar consentimento para a publicação de uma imagem. Isto desde que esteja num local público, como acontece na rua, na praia ou noutro local qualquer. Tudo muda quando o local é privado. Por exemplo, vamos imaginar que Sara Sampaio (e dou este exemplo por ser recente) está a fazer nudismo na sua casa. A janela está aberta e vê-se Sara nua dentro de casa. Essa imagem não pode ser publicada pois Sara está na sua casa e esse domínio é privado. Impede a publicação das imagens.

Sei que tudo isto soa a injusto. Mas a lei é o que é. E neste caso acho que as pessoas pouco sabem sobre a lei. Recordo-me de grandes discussões na faculdade em torno deste tema que consegue ser bastante complexo. Depois, existe outro fenómeno que vamos fingir que não existe. As pessoas criticam a publicação das fotos mas poucas resistem à curiosidade de ir ver a exposição corporal da Sara.

interessa ou não interessa?

Ao longo da última semana muito se falou sobre as agressões ocorridas em Ponte de Sor. Os telejornais abriam com este assunto, todas as pessoas davam palpites sobre o ocorrido, todas as pessoas tinham algo a acrescentar em relação à história e por aí fora. Existiram até reconstituições da noite que terminou com um adolescente internado no hospital e a lutar pela vida.

Até que existe uma nova troca de agressões entre dois adolescentes, supostamente motivada por ciúmes. Existem algumas semelhanças e diferenças com o caso mais mediático. A semelhança é que o agredido também luta pela vida (de acordo com as últimas notícias que desmentem a sua morte). A diferença é que o agressor é apenas mais um "puto", não é filho de nenhum embaixador.

Como referi, o primeiro caso, em que os agressores assumidos são filhos do embaixador do Iraque em Portugal, teve muito tempo de antena mediático. Abriu telejornais. Quando ao segundo caso, foi relegado para um plano muito inferior. No dia em que a notícia poderia ter destaque, vi um telejornal abrir com um directo para o Estádio de Alvalade para ouvir a reacção dos adeptos sportinguistas após a vitória sobre o Porto na terceira(!!!) jornada do campeonato. Não se anunciou um campeão nem nada do género. É apenas um jogo da terceira jornada (e como é óbvio não estão em causa os clubes). Quanto à notícia sobre a agressão fatal, teve apenas direito a alguns segundos de antena.

Acho que finalmente fica evidente (para quem ainda não se tinha apercebido disso) que aquilo que está em causa não são as agressões ocorridas em Ponte de Sor mas apenas dois dos intervenientes serem filhos de quem são. Aquilo que realmente interessa são aqueles dois jovens. Por outro lado, meio mundo criticou um dos jovens iraquianos por ter dito que agressões entre jovens são muito comuns em Portugal. Muitas vozes se levantaram a dizer coisas como "isso acontece é no país dele que aqui não se passa nada disso". Acho que o caso mais recente mostra que existe alguma razão nas palavras do iraquiano. Aquilo que muda é o grau de violência. Nada mais.