24.1.17

a aliança da separação

Existem detalhes que ajudam a que um casal seja identificado pelos outros como tal. Mesmo que não sejam um casal. É exemplo disto o andar de mãos dadas na rua. Isto faz com que as pessoas olhem para as pessoas como um casal. Existem também gestos carinhosos. E muitas outras coisas. Mas há algo que se destaca: a aliança.

As pessoas que usam aliança estão automaticamente casadas. Mesmo que não estejam. E dou o meu caso. Uso aliança na mão esquerda mas ainda não casei com a minha namorada. Quando alguém olha para um anel no dedo anelar da mão esquerda assume que essa pessoa é casada. Não há outra hipótese. É casada e não se discute mais o assunto.

E existe o efeito inverso. Que é o momento em que a pessoa não usa o anel, a aliança. Quando isso acontece é porque o casamento/relação vive um momento de crise. É porque a pessoa já está separada ou prestes a separar-se. Não existem opções como esquecimento, anel para limpar ou outro motivo qualquer.

Além disto, não cabe da cabeça da maioria das pessoas que alguém casado simplesmente não goste de usar aliança. E muito menos sentido faz, para essas pessoas, que uma das pessoas use aliança e a outra não. Casados usam aliança. Casados sem aliança estão prestes a separar-se. E o assunto morre nestas duas opções. Não há mais nada a dizer.

O que faz com que tenha alguma piada o momento em que uma pessoa com aliança beija outra, que não usa aliança, em público. Se alianças são sinal de casamento perfeito e a ausência de alianças sinal de crise, uma pessoa com aliança e outra sem só podem ser sinal de adultério. Não existe outra hipótese. São pessoas que estão a ter um caso. Mesmo que possam ser, na realidade, marido e mulher.

há-de chegar o dia em que é notícia porque tem roupa (hoje não é o dia)

Há-de chegar o dia em que Emily Ratajkowski vai ser notícia porque está vestida. Hoje não é o dia.


Nada tenho contra esta modelo a quem quase todas as pessoas conhecem o corpo nu mas que dificilmente conseguem pronunciar o seu apelido ou mesmo recordar-se do primeiro nome. Aquilo de que não gosto é de uma quase exclusiva promoção à conta da ousadia, em muitos casos exagerada e desnecessária. E isto aplica-se a mulheres, como é este caso, e também a homens.

Podem dizer-me que faz parte do trabalho de Emily (e de tantas outras “Emilys”) andar sem roupa ou com pouca roupa. Por exemplo, neste caso, o que aparenta ser um ocasional passeio com o cão a desafiar as baixas temperaturas que se fazem sentir em Nova Iorque é na realidade uma campanha publicitária.

Mas retirando o lado profissional da vida de Emily mantém-se a ousadia e a nudez. Sem a conhecer de lado nenhum chego a ter a sensação de que o seu corpo não tem qualquer segredo ou mistério para mim. Poderá existir quem entenda que isto é sedutor e positivo. Para mim é o extremo oposto. Sendo também desinteressante.

A liberdade é uma coisa bonita. E faz parte dela andar vestido ou sem roupa (em determinados locais). Faz parte dela partilhar fotos nas redes sociais com roupa ou sem roupa. É tão válido querer promoção pessoal com base no corpo como num qualquer talento. São opções. E no caso da nudez, faço parte da equipa que prefere o mistério.

23.1.17

o mundo ficou mais pobre


Até sempre Rene. Obrigado por tudo!

o motivo da escrita

Qual o motivo da escrita? E esta pergunta é muito vasta porque tudo e mais alguma coisa pode dar origem a um texto. Trivialidades, acontecimentos diários, histórias de amor, tristezas e muitas outras coisas. Mas qual o motivo dos melhores textos que as pessoas escrevem. Amor? Dor? Ou outra coisa qualquer?

abençoado trump que faz com que os problemas desapareçam

Donald Trump ganhou as eleições. E já tomou posse como novo presidente norte-americano. E isto, aparentemente é o maior problema do mundo. Não apenas para os norte-americanos. Mas para todas as pessoas. Não existe uma pessoa no mundo que tenha um problema mais grave, mais sério ou de resolução mais urgente que não esteja relacionado com Donald Trump.

Nada tenho contra a “meia dúzia” de pessoas que se junta aqui e ali para se manifestar contra Donald Trump. Já sou contra as pessoas que acham que revelar o seu desagrado passa por destruir carros, montras e agredir pessoas mas isso é outra conversa. Mas acho alguma piada às pessoas que fazem da eleição de Donald Trump, assunto que está na moda, o maior problema das suas vidas.

E acho piada porque muitas destas pessoas centram a sua fúria em Trump mas ignoram por completo outros problemas que necessitavam de uma voz activa e que estão muito mais próximos. Como a precariedade que domina a maioria das profissões em Portugal, apenas para dar um exemplo. Ou outras coisas que acabam por interferir com os dias das pessoas que apenas têm energia para atacar Donald Trump.

Antes de me preocupar com Donald Trump preocupo-me em solucionar todos os problemas que estão perto de mim. Muitos deles motivados por situações que não domino e que merecem a minha atenção total. Bom seria que o único problema do mundo fosse mesmo a eleição de Donald Trump. Mas a verdade é que existe algo muito nosso que passa por olhar para os problemas dos outros ao mesmo tempo que preferimos ignorar aquilo que acontece debaixo do nosso nariz.

Ao bom estilo português temos solução para tudo aquilo que diz respeito aos outros. Sabemos tudo aquilo que deve ser feito por fulano e sicrano na situação x ou y. Criticamos tudo e mais alguma coisa que diz respeito aos outros. Até ao momento em que percebemos que temos de fazer alguma coisa por nós, alguma coisa pela nossa vida, pela solução dos nossos problemas. Mas isso dá muito trabalho. Mais vale ir para as redes sociais falar mal do Trump, esse malvado.

duas de seguida para começar bem a semana





Quem disser que isto não é perfeito fica de castigo.

20.1.17

carros lavados vs pássaros cagões

Não lavava o meu carro desde o Natal. O último banho teve lugar a 24 de Dezembro, para ficar lavadinho para o Natal. Até que fiquei parado na Ponte 25 de Abril, o que fez com que o carro fosse para a oficina. Problema encontrado, problema solucionado e um banho antes de ser levantado. Até aqui tudo bem.

Hoje, manhã cedo, chego à oficina e o carro está coberto de gelo. Mais um "duche" para tirar o gelo. O carro estava um mimo. Aliás, carros lavados ficam todos um mimo. Até aqui, e mais uma vez, tudo bem. Não fosse o facto dos pássaros terem uma adoração por carros lavados. Até já os estou a imaginar a falar uns com os outros.

"Ui! Olha aquele ali. Foi lavar o carro. Deve querer uma cagada", diz um dos pássaros.

"Deixa-me ser eu. Estou mesmo aflito", diz outro.

"Não! Quero ser eu", insiste o primeiro.

Até que tiram à sorte. Um fica feliz e outro triste.

Não contente por não ser a sua vez, decide tornar o cenário ainda menos simpático.

"Sabes o que era giro? Era fazeres uma cagada mesmo no puxador da porta do lado do condutor. Mas uma daquelas grandes, que ocupam o puxador todo. Isso é que era giro", diz.

Algo que o outro aceita fazer. E faz.

Depois ficam os dois à espera que o dono do carro chegue para que possam gozar com a sua cara.

De forma resumida, isto foi o meu dia.