18.8.17

barcelona e medo

Existem atentados que nos tocam mais do que outros. Não pelos diferentes níveis de atrocidade. Nem pelo número de vitimas. É algo que tem a ver com a proximidade. E com a sensação do "podia acontecer comigo". E foi isso que senti com o atentado recente de Barcelona.

E senti isto porque é uma das minhas cidades de eleição. Uma que já visitei muitas vezes. E, como qualquer turista, muitas foram às vezes em que passeei pelo local do atentado. E é tudo isto que me leva a olhar para este atentado com outros olhos.

Não quero ter medo. Não quero deixar de visitar sítios por causa de tristes acontecimentos como este. Mas a verdade é que estes atentados são muito fáceis de realizar. Não existem coletes de explosivos, bombas ou o que quer que seja. É apenas uma viatura e o maior número de vítimas possível.

Os terroristas têm passaporte dos países onde fazem os ataques. Ouvi ontem que são necessários 23 homens para controlar "24 horas por dia" um indivíduo sinalizado pelas autoridades. O que faz com que seja uma missão quase impossível.

Esta nova moda de atentados é mais fácil de realizar é mais difícil de controlar. Temo que venham a acontecer muitos mais atentados destes. Em locais turísticos das grandes cidades. Mas o medo não pode vencer. Por mais complicado que seja.

17.8.17

um estranho fenómeno de praia

Uma das minhas praias preferidas fica no Alentejo. É a praia dos Aivados, na Ribeira da Azenha. Um pequeno paraíso sem bares de praia e sem nadadores salvadores. Tem os benefícios do paraíso, ser calma, e os riscos do paraíso, exige um cuidado redobrado, especialmente para quem tem crianças pois a praia nem é muito perigosa. Tem ainda outra vantagem: os cães podem andar à vontade.

A praia não costuma ter muitas pessoas. Pelo menos na zona onde nós costumamos ficar, que tem um acesso mais exigente para quem tem carro. O que faz com que um "fenómeno" desta praia seja ainda mais... peculiar.

Existem pessoas que chegam à praia em grupos de oito (ou mais) pessoas. Têm muita areia para ficar à vontade, mas ficam sempre colados a alguém. E quando digo colados, refiro-me a uma dismtancia demasiado pequena para o espaço existente. Espalham tudo pela areia e depois começam a falar como se estivessem separamos por dois quilómetros e sem telemóvel. Ou seja, gritam.

Este estranho fenómeno belisca (ainda que ao de leve) o encanto paradisíaco dos Aivados. Por outro lado, torna a praia mais segura. Ninguém ousará roubar algo quando não percebe se as coisas estão sem "dono" ou de pertencem a alguém. Mas confesso que me faz alguma confusão o motivo que leva alguém a ficar tão próximo de outras pessoas quando existe tanto espaço livre.

Não deixa também de ser curioso que apesar da maior popularidade da praia, ano após ano sejam vistas as mesmas pessoas no areal. Por fim, quem não conhece esta praia não sabe o paraíso que está a perder. 

16.8.17

refugiando

Ontem fui jantar com a minha mulher à Ribeira da Azenha, perto de Vila Nova de Milfontes. Ao sair demos de caras com um rapaz, que pedia boleia à beira da estrada. O Luís tinha consigo um grande cartaz onde se lia refugiando.org. E rapidamente explicou a sua "missão".

O Luís está a percorrer o caminho até à fronteira de Espanha. Tal e qual como se fosse um refugiado. De mochila às costas, está dependente das boleias, das caminhadas que faz e da caridade dos donos dos restaurantes. Pois se lhe derem comida, o dinheiro da refeição irá reverter a favor de instituições que ajudam os verdadeiros refugiados.

Disse-lhe pessoalmente que é uma missão muito nobre que está a fazer. Sozinho, a dormir em praias e dependente da ajuda de estranhos. Ainda bem que existem pessoas assim e lamento que estas iniciativas nem sempre tenham o mediatismo que merecem.

Fiz a minha parte ao dar boleia ao Luís. Faço a minha parte ao divulgar esta iniciativa. E deixo o apelo: se andarem pela estrada e caso se cruzem com o Luís, não tenham receio de dar boleia a este simpático rapaz. Visitem o site refugiando.org e vejam como podem ajudar o Luís, que vai relatando a sua aventura no facebook

14.8.17

férias sim. confusão não!

Adoro férias. Quem não gosta? Mas não sou, frequentemente, daquelas pessoas que passam o ano a contar os segundos para as férias. Quando isso acontece, e não nego que já me aconteceu, é porque estou saturado do trabalho. De resto, olho para as férias como o tempo em que me dedico aos meus.

E se há coisa de que não gosto nas férias é de confusão. Isto retira 90% do encanto das férias. Porque a confusão é indispensável durante o tempo de trabalho. Mas totalmente dispensável em período de férias. 

Não gosto de praias cheias de gente, onde todos gritam e ninguém respeita a pessoa do lado. E confesso que nem em criança achava piada a isto. Muito menos em adulto. Por isso é que me faz confusão aqueles locais onde a pessoa demora quase uma hora para chegar à praia, onde demora uma hora para pagar as compras no supermercado e por aí fora.

Mas, por outro lado, acho que as pessoas já olham para a confusão como parte delas. Ou melhor, já nem se aperfebem dela tal é a forma como lidam com ela durante todo o ano. E digo isto por acreditar que todas as pessoas dispensam a confusão durante as férias.


10.8.17

os tristes polícias que temos

Este texto merece uma nota prévia. Nada tenho contra polícias. Tenho amigos que seguiram esta profissão e que são excelente profissionais. Mas "profissionais" como aquele com quem me cruzei hoje servem para dizer coisas como as palavras que escolhi para o título deste texto. Sem querer generalizar, são polícias destes que fazem com que muitas pessoas não gostem da classe no geral. E que olhem para todos com o mesmo olhar.

A situação passou-se numa estrada. Circulava na faixa da esquerda (existem três). Vou dentro do limite de velocidade. Vou a ultrapassar os carros que seguem na faixa à minha direita (ou seja, na do meio). São vários carros seguidos. E tenho mais duas viaturas à minha frente. Olho pelo retrovisor e reparo que tenho uma mota da polícia atrás de mim. Praticamente colada ao meu carro. Seguia a uma distância que de segurança nada tem.

Tenho o cuidado de observar o comportamento do agente. As luzes estão desligadas. Segue sozinho. Por isso entendo que não está com pressa, leia-se com urgência. Se assim fosse, assinalava isso mesmo. Como manda a lei. Mesmo assim, costumo desviar-me dos polícias. O que neste caso era impossível. Porque tenho carros ao meu lado. E carros à minha frente. Que provavelmente não conseguem observar a mota, que segue colada ao meu carro.

O polícia (nitidamente amuado, algo que percebi mais tarde) não descansou enquanto não se posicionou ao meu lado. Obrigando-me a mudar de faixa. Volto a dizer que tenho carros à minha frente e à minha direita. Ou seja, o desejo do agente - que não está a sinalizar marcha de urgência - não podia ser satisfeito apenas porque sim. Tinha de esperar que tivesse espaço para uma manobra em segurança. Quando digo que o polícia estava amuado, é pelas caras que fez quando estava ao meu lado. "Obrigando-me" a mudar de faixa.

Se fosse uma pessoa nervosa, assim que o polícia começou a gesticular, tinha mudado de faixa. Sem olhar para retrovisores, arriscando-me a bater no carro que seguia ao meu lado. Mas só mudei quando havia espaço para isso. Provocando ainda mais ira ao agente. Que seguiu mais alguns metros a olhar para o meu carro como um touro olha para algo vermelho. O meu desejo foi dizer algo de que me arrependeria assim que as palavras saíssem da minha boca. Optei por ficar calado e subir o volume da música que ia a ouvir.

Percebia o estado do polícia caso viesse com urgência e o estivesse a ignorar. Também percebi caso fosse na faixa da esquerda a fazer turismo, enquanto tinha as outras duas livres. Mas estava a fazer tudo bem. Uma ultrapassagem dentro dos limites de velocidade. E mais demorada do que o normal porque tinha dois carros à minha frente e vários à minha direita. Por isso é que digo que são pessoas como esta que fazem com que outros polícias levem com rótulos que só pessoas destas merecem. Peço desculpa a todos os outros polícias, mas este faz-me dizer "tristes polícias que temos".

8.8.17

os últimos tempos e um vídeo

Os últimos dias têm sido bastante atarefados. E ao jeito de um bom filme, têm de tudo. Desde notícias de merda que tento esquecer. Ou esconder o mais possível na minha memória por saber que é complicado não pensar nisso. Muito trabalho. Que é feito com alegria. Muitas ideias para colocar em prática. Muitas coisas para fazer. Pouco tempo para descansar. E até uma contagem decrescente para férias.

Não sou de me queixar. E agradeço todo o trabalho que tenho. E mais tivesse. Desde que motivado, nada disso me importa. Tendo a noção de que nem sempre é fácil encontrar um equilíbrio com o lado familiar, que tem de ser sempre o mais importante e prioritário. Aquilo que mais me aborrece e incomoda são mesmo as más notícias. Que me deixam impotente.

Mas voltando às coisas boas, estou muito feliz com o novo projecto. Um balão de oxigénio que há muito desejava. Ao longo das últimas semanas tenho feito diversas coisas que me têm dado muito prazer. Desde reportagens mais sérias até momentos mais divertidos. Como é o caso deste vídeo. Não tenho por hábito misturar trabalho com lazer, mas este vídeo, pensado e idealizado em poucas horas, é o espelho do ambiente que agora tenho e que me dá muito ânimo. E que é uma ajuda importante a esquecer algumas coisas menos boas.



Este vídeo surgiu em modo de brincadeira. E em jeito de homenagem a dois grandes talentos do futebol português: Ricardo Quaresma e Pepe. Que são dois dos protagonistas deste vídeo, aquele que literalmente quisemos copiar.